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domingo, 19 de agosto de 2012

Johnson, o Ditador


 O fato de gostar de animais não implica querer ter relações sexuais com eles, ser a favor do casamento homossexual não significa ser homossexual, ser feminista não significa ser mulher, ser racista significa não ser racional, ser esquedista não significa ser pobre e ser de direita não significa ser milionário (mas significa querer ser, e detestar a ideia de ajudar os pobres com o dinheiro arrecadado por impostos, afinal eles que se virem trabalhando ou estudando, "não, estudando não, trabalhando apenas estudar é pros meus filhos".). É engraçado ver como se estabelecem essas mensagens em nós através de um tipo de lavagem cerebral discreta oriunda da televisão, mídia no geral e no convívio de nossa própria sociedade. Não é engraçado, é horrível e dificulta nosso convívio social, embora pareça engraçado para alguns fazer piadas de "mulher na cozinha". O leitor guaxinim com certeza absoluta gritou agora: "MENTECAPTOS!", grande maioria dos guaxinins são cultos e não gostam desse tipo de piada, eu também não. Você sabe o que é mentecapto ? Dicionário, agora. Descobriu ? Ótimo, agora continuemos o conto.
  "Extermínio agora !" gritou o ditador Johnson, extermínio de todos os que não se enquadravam no perfil dos cidadãos para seu projeto de cidade nova (referencia ao Estado Novo de Vargas ? É ! Cultura de graça), todos teriam de apoiar incondicionalmente o líder, achá-lo atraente, os comunistas seriam assassinados, capitalistas bilionários e milionários também (milionários e bilionários por terem dinheiro a ser confiscado, comunistas morriam por quererem derrubar Johnson e instalar outra ditadura), os heterossexuais eram assassinados e.. claro que não, isso é o que a bancada evangélica diz que vai ocorrer com a legalização do casamento gay e não o que eu digo na minha história, enfim, homossexuais eram assassinados, deficientes mentais e paraplégicos também, bastante similar com a política do terceiro reich, mas o judeus ficaram numa boa nessa, os imigrantes, por outro lado, não.
  Johnson tinha 1,67m e 90kg, era gordo, bem gordo, branco com uma marca de nascença no pescoço, era careca, daqueles bem careca mesmo, que passam máquina zero na cabeça e depois passam gillette, adorava mulheres (mas elas não o adoravam) e queria ser atraente mas nunca conseguiu desde o ensino médio, e esse sofrimento acabou alimentando esse seu ódio e essa loucura, que canalizou em sua carreira política. No seu plano de sociedade nova, queria matar todos os que se opusessem a ele, ao seu governo, e os que fossem uma ameaça a sua sociedade nova, paraplégicos e deficientes mentais por supostamente prejudicarem suas gerações futuras e homossexuais por não se reproduzirem, imigrantes porque seu padrasto era imigrante italiano e batia nele, esse era seu modo de superar. Johnson tinha um exército extremamente forte para um chefe de Estado em sua posição, mas seu autoritarismo era exercido não pelo exército, mas pelos próprios cidadãos, ele incentivava os cidadãos a denunciarem cidadãos suspeitos, filhos eram ensinados na escola a denunciarem até mesmo os pais se demonstrasem um comportamento suspeito. Seria engraçado imaginar um filho denunciando o pai por homossexualismo porque o pai cansado do trabalho chegou e não quis transar com a mãe, ocorreu, há registros disso.
  No começo as coisas correram bem, relativamente, claro, a sociedade caminhou para o estágio novo do plano de Johnson, porém com o passar de exatos 6 meses, as denúncias passaram a levar a sociedade a outro estágio, um rumo diferente estava sendo tomado, os cidadãos comuns passaram a denunciar uns aos outros por motivos aceitáveis, aos olhos do novo governo (por não acharem o ditador Johnson atraente, essa era a maior acusação), e tirar proveito disso para conseguir promoções no emprego, para eliminar rivais de escola, eliminar quem dava uma fechada no trânsito, e o governo passou a gostar disso, Johnson achava possível que com essas medidas uma sociedade sem babacas, mais agradável de se viver, sem desgraçados, homossexuais, comunistas sujos, criminosos, fosse instituída.
  Mas com o passar do tempo, a população começou a decrescer absurdamente, a taxa de mortalidade era absurdamente alta e a natalidade baixa pois ninguém queria ter filho em uma sociedade doente (doente no sentido de quando alguém é absurdamente nojento ao contar uma história e parece não perceber quão nojento tal parte da história é, e além disso, parece gostar bastante da parte nojenta. Essa pessoa é um doente.). Até que chegou o dia em que fazia 1 ano desde que sua ditadura foi instalada, e ao sair na rua para as comemorações, viu que não tinha ninguém nas ruas, foi para a praça principal da cidade, e também não tinha ninguém. "Essa não, onde será que estão todos ?", "talvez uma festa surpresa !", foi em todos os lugares da cidade e não achou ninguém, era um dia estranho, quieto, ninguém havia lhe dado bom dia, até que teve uma grande ideia "talvez as comemorações estejam acontecendo na área de execução, para comemorar uma sociedade limpa !", ao chegar lá só havia uma pilha de corpos fuzilados (fuzilamento era a onda do momento), Johnson decidiu, não, concluiu, que a festa estava ocorrendo, estavam todos ali para ele, e se juntou a eles se suicidando, sendo a cereja daquele sundae de "opositores" mortos. De fato consegusites uma nova sociedade Johnson !  E aliás, ninguém te achou atraente em nenhum momento, seu babaca.
Jorge Madoz

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Alexandre, o tolo.


De que vale ter nascido em um bosque repleto de árvores bonitas, perto de um lindo rio, em uma vila onde só existem bons vizinhos, onde existem novas coisas para se descobrir a cada dia; onde há o mais bonito de todos os céus, um magnífico pôr-do-sol e um nascer do sol fascinante, de fazer cair o queixo; de que vale tudo isso se não se dá valor ? Ter todas as melhores coisas e não dar valor a elas é como ter braços e não usá-los para escrever, para se coçar, para se lavar, para fazer toda e qualquer coisa que precise dos braços, inclusive plantar bananeira.

   Alexandre é um homem que abandonou toda e qualquer consciência do que possuia, de tudo que lhe foi dado pela vida.  Alexandre nunca soube que a vida é constituída de altos e baixos e que ambos são temporários, nunca soube que a única certeza, é que para não ser derrotado pela vida, deve-se apreciar as pequenas coisas, essas que nos são dadas. O combustível para passar por cima, esmagar os obstáculos da vida é retirar o máximo proveito dessas pequenas coisas, pôr-do-sol, observar formigas em suas tarefas do dia-a-dia, e tudo mais. Mas assim como alguém que decide não usar os braços mesmo possuindo-os e pede a algum outro para coçar sua perna, Alexandre buscou em outras lugares o que tinha em suas mãos.

   Tudo ocorrera muito rápido, mas na realidade a solução para todos os problemas de sua vida sempre estiveram na sua frente mais acessíveis do que qualquer outro caminho menos sofrido. Alexandre trabalhava em uma empresa, onde vendia serviços para outras empresas. A vida não era muito interessante lá, a ambição de se tornar funcionário do mês é a que imperava afinal o funcionário do mês recebe um aumento de 5% do salário. O ciclo da vida do rapaz era ir para o trabalho, voltar e descansar pois no dia seguinte teria mais trabalho. Fins de semana são dias livres para se fazer algo legal como dormir mais ou ir para o rio que fica perto de sua casa. Antes ele costumava sair com os amigos, mas essa rotina era mais maçante ainda pois por mais que achasse que sair com "os amigos" nos fins de semana fosse melhor do que dormir, na realidade o dia seguinta à saída era sempre pior e repleto de reflexões indesejáveis. Esses seus "amigos" arrumaram outros empregos e se distanciaram, alguns continuaram com a rotina de trabalhar a semana toda e no fim de semana sair para alguma festa.

   Mas o que poderia ser feito ? Alexandre sempre teve a capacidade de refletir, e sempre que refletia, aparecia uma solução para sua vida, se o seu trabalho era chato, fato era que Alexandre tinha potencial para arrumar um outro melhor. Antes, porque depois ele cortaria todo seu potencial intelectual para trocar por sensações que ele nem se lembrava no dia seguinte, assim como quem corta árvores em extinção para fazer móveis que ninguém vai comprar, e mesmo se alguém comprasse, não teria o mesmo valor que tem uma árvore. Todo dia, existem obstáculos da vida a serem superadoos, mas a capacidade de superá-los reside dentro da cabeça de qualquer indivíduo. A força necessária para superar está em aproveitar as pequenas coisas da vida, estar acima de tudo o que desagrada, saber que toda má fase é temporária, que se for investir em alguma coisa deve-se investir nas coisas que ficam, e não nas passageiras como Alexandre o fez.

   Um belo dia Alexandre viu-se imerso nessa rotina, sentiu se miserável ao perceber que viveria todo dia a mesma coisa, seria como um eterno retorno. Usou sua cabeça e decidiu sair em busca de qualquer coisa que o fizesse ir além, quebrar a rotina. Decidiu sair, decidiu cheirar todas as flores em seu caminho sentindo o aroma de cada uma delas e depois decidir qual era a melhor. Talvez plantar a melhor, não sabia ao certo. Saiu cheirando todas as flores, as margaridas, as orquídeas, as violetas, as rosas, as roxas, todas até chegar em uma chamada de Flor Doida,  Floroida, Flor que Endoidece ,e por alguns poucos chamada de Banana-sofá. Na realidade ninguém chamava a flor de Banana-sofá.  O grande problema é que essa flor, a Flor Doida, na realidade é uma droga alucinógena, e seus efeitos têm uma duração de cerca de uns 15 minutos. Alexandre então viu-se em uma perfeita situação, descobrira a fonte de alegria para sua vida, a solulção para seus problemas, descobrira o fim da monotonia.

   Infelizmente Alexandre não conseguiu pensar de maneira imparcial e foi levado a crer que a única solução era cheirar Floroida todo dia, sempre que quisesse relaxar ou se distrair. A primeira semana foi ótima, ele não cheirava todo dia e muito menos toda hora, só nos fins de semana. A segunda e a terceira foram um pouco distintas, pois foi acrescentado o consumo de perfume de Flor que Endoidece nas quartas feiras. A quarta semana foi o decreto para o futuro de sua vida. Declarou ser dependente de Floroida para todo e qualquer momento, sempre que estivesse triste em busca de se alegrar, sempre que estivesse feliz em busca de ficar mais feliz ainda, para relaxar, para olhar pro céu, para ver televisão, ouvir um som, tudo. Alexandre atrelou todo e qualquer momento desagradável de sua vida à falta de flor, e todo momento feliz à necessidade de ter mais flor na cuca.

   Após o primeiro mês de sua "grande descoberta" Alexandre foi demitido por estar agindo de maneira pirada. Não deu a mínima, afinal "aqueles malditos alienados do meu trabalho não sabem nada sobre a real felicidade da vida, sob os verdadeiros propósitos de viver". Arrumou um trabalho onde pagava-se infinitamente menos que o anterior, mas lá ninguém o julgava e isso era o que importava. Se alimentava muito mal, quase nunca tomava banho, perdeu sua vontade, sua gana, e sua qualidade de vida caiu absurdamente, faltava até sabonete em sua casa, mas nada importava afinal "coisas materiais não importam, não estou mal, estou muito bem, estou perfeito". Abandonou a vida real por uma "realidade virtual", abandonou as verdadeiras alegrias da vida pelas falsas. Encontrou um caminho muito bonito e atraente, tudo era fácil nesse caminho onde até era possível ver os outros, e como o caminho deles era mais difícil ! Uma pena é que o caminho difícil leva às grandes conquistas, e o caminho das coisas fáceis infelizmente é o caminho da ilusão. "Só tolos podem tentar viver uma vida sem saber curtir". É, realmente Alexandre, você deve saber curtir bastante ! Deve ser um artista exímio na arte de viver a vida ! Uma pena é que não sabes tomar banho.

   Alexandre viu sua vida ruir, não, ele não viu nada, ele não via nada, ele não via a hora de dar uma cheirada em sua bela flor. Mas a realidade foi outra, nada estava bem, nada, alexandre mesmo que não estivesse prejudicando seu corpo, aleijara sua mente, aleijara seu psicológico. Alexandre não precisava de olhar pro céu para se alegrar, nem precisava ter uma hora de difíceis reflexões sobre sua vida atual como fazia, era apenas cheirar a flor e aproveitar as sensações passageiras. Alexandre perdeu sua casa pois não pagava o aluguel há muitos meses, e como eu havia dito, perdeu sua consciência da realidade.  Adorava chamar as pessoas que não eram como ele ( pessoas que não eram viciadas em cheiro de flor, não "curtiam a vida", pessoas que tinham empregos. Pessoas que viviam suas vidas sem precisar de alguma coisa senão a própria sanidade mental, a própria razão) de alienados. Ora essa ! Alienados, Alexandre ? Não será você que foi alienado e tornou-se escravo de meras sensações ? Abdicou de sua vida inteira por meras emoções ? Pediu para alguém te coçar sendo que possuia braços ? Nascido em um lugar tão belo, tendo vivido sempre com a verdadeira felicidade à sua volta, tendo todas as ferramentas para ser feliz em suas mãos, preteriu a vida à uma falsa vida, esse é nosso querido Alexandre, o tolo.

Jorge Madoz

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Que é a Vida ?

Pois frequentemente,
A vida derruba.
Corta a bela juba
Leão sorridente.

Esmaga teu orgulho,
Te faz dar mergulho
Em um mar de rosas
Falsas, mentirosas.

Não pise na bola,
A vida ? Escola !
"Leão, já pra jaula"
Uma dor por aula.

A felicidade ?
Existe, verdade !
Algo ter ? Não ser !
É o modo de ver !

A vida é parente
Bem próximo, sim
Do que você sente
Vendo um Serafim.

A felicidade
É a esposa da vida.
A vida vivida
Feliz é quem sabe.

Como a flor de liz,
Sim, o casamento,
Mais perfeito e bento
É a vida feliz.

Jorge Madoz










terça-feira, 26 de junho de 2012

Realidade Vigente

A natureza é forte, implacável.
O homem-tolo destrói o índio.
O homem-tolo é escravo do poder.
O homem-tolo só quer dinheiro.
A natureza responde com mortes e catástrofes.

O homem-tolo tira dos pobres,
Ele não é humano pois tortura
Os humanos, que choram.

Ele destrói o planeta, ele é egoísta.
"Pouco me importa natureza,"
"Cadê meu economista ?"

"Não acredite em igualdade !"
"Todos iguais ? Alegria ?
Comunismo ? Barbaridade !
Isso não existe é utopia !"

Como seremos iguais
Se o próprio explorado rechaça
A união e a paz e o fato de sermos iguais ?
"Tá doido ? Só quero puta e cachaça!"

Não há como abrir os olhos
De quem não quer ver.
A exploração está a nossa volta,
O explorado só quer sobreviver.

Viver de restos, sofrer
Estudar em escolas ?
Não, jamais ! Será peão, pode ser ?
Se não, viverá de esmolas.

E então ? E a natureza ?
Esta força sobre-humana
Alivia a incerteza,
E reina soberana.

Mudanças virão, sim.
E a justiça será feita, com certeza.
Há quem olha pelos habitantes
Do planeta
E por toda sorte da verdadeira riqueza.
Virtude.

Jorge Madoz

sábado, 26 de maio de 2012

Pobreza na mão de muitos

Venho agora declarar
A discussão de um assunto
Que ao se discutir assim
Quem o faz torna-se louco.
Discordo pois não acho certo.

"É indiscutível !". Será ?
O comodismo é um caruncho,
O pensamento é um sem fim
Mas pode nunca ser novo
Se domado pelo esperto.

Aqui se discutirá
-Alienação faz defunto-
O povo sofre um pouquinho
A cada imposto para o porco
E o povo se mantém quieto.

Como dois mais dois são quatro:
Pobreza na mão de muitos
-Não negue, veja que sim-
Riqueza na mão de poucos.
Se não percebes, eu alerto.

Então percebes que eu faço
Tornar o distante junto.
Marionete és enfim,
A alienação torna-te morto,
És a (verdadeira) cortina de ferro.

Jorge Madoz

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A "história de amor" de Davi e Heloísa.


   Heloísa é alguém que Davi deveria ter conhecido melhor, mas infelizmente isso não aconteceu. Durante muito tempo tentou compreendê-la mas isso se mostrou tão complicado que toda e qualquer vontade de aproximação se dissipava por completo a partir do momento em que ele pensava melhor sobre essa possibilidade. O porquê de tanta complicação ? No começo Davi chegou a pensar que não existia porquê, mas com o passar de tantos dias e tantas noites acabou conseguindo entender a complicação, mas entender Heloísa não, então vamos ao início dessa história.

   Heloísa é uma camponesa, tem 29 anos, é ruiva, planta morangos e os vende na feira da cidade onde mora, que é Botuangas. Sua vida não é interessante. Não é uma vida do tipo "não interessante" a qual a maioria das pessoas do mundo vive, onde se vive uma rotina, mas existem ambições e interesses particulares como casar, ter familia, comprar uma geladeira nova, ambições gerais de qualquer pessoa comum. É um tipo de "não interessante" porque além de viver imersa em sua rotina, Heloísa vive em função de sua rotina, suas ambições são a sua rotina, sua venda é seu destino não por imposição de ninguém (ou quem sabe seja , indiretamente) mas porque ela quer que seja, seu sonho é ter um bom dia de feira, seu descanso é apenas dormir pensando na venda dos morangos, sua familia são seus morangos, talvez não a parte da familia porque não se vende seus filhos para os outros se alimentarem desses, não uma pessoa normal até porque isso deve ser crime. Sim, Heloísa é extremamente chata e seu assunto se limita a vender morangos.

   Davi tem também 29, é moreno, barbudo e tem cabelos grandes, é camponês, planta e vende beterraba, chuchu e abóbora e mora em um vilarejo chamado Tuturu, mas como nesse vilarejo não há feira Daví pega o que produz semanalmente e leva para as cidades próximas. Nessas cidades ele vende o que produz e compra o que precisa para sua sobrevivência durante as próximas semanas, as vezes também compra um livro mesmo não sabendo ler. Em uma dessas viagens Daví conheceu Heloísa, e foi amor pela primeira vista. Talvez foi amor a primeira vista, ou talvez foi apenas um fascínio afinal a beleza de Heloísa causa deslumbramento em todos que a vêem. O início de seu encantamento não é o importante, mas o ponto de partida será esse dia.

   Não foi um dia belo de verão ou primavera, não havia belas nuvens, havia apenas um céu nublado, um dia morno, e um clima de fim de tarde de uma segunda-feira ou domingo. Daví viu Heloísa e "viu-se imerso em um estranho e novo sentimento, sentiu-se apaixonado devido a sua beleza estonteante", ou como não vivia certas emoções (com "certas emoções" eu quero dizer relações sexuais) há bastante tempo viu aquela bela moça e sentiu o "mais puro amor de todos". Logicamente, Heloísa estava vidrada em seus morangos e nem notou a presença de Davi, nem notou é realmente muito, ela notou porque ele ficara puxando conversa o tempo todo. Davi olhou pro céu e achou o céu "a coisa mais linda do mundo, a seguna aliás, porque a primeira estava diante dele". Heloísa achou legal ? Gostou ou não ? Heloísa não achou nada. Acharia legal se ele estivesse com uma camisa com desenho de morangos. Então acabou a feira e Davi teve de retornar à sua casa.

   Davi desenvolveu uma obsessão e se "apaixonou", não necessariamente nessa ordem. Passou a frequentar mais a cidadezinha de Botuangas para ver Heloísa, e eles viraram amigos. Não aqueles amigos que conversam sobre tudo, comentam tudo e contam tudo de suas respectivas vidas. E sim aquela amizade onde um quer uma coisa e outro quer outra sendo que nenhuma dessas coisas é amizade. Heloísa é uma chata de galocha, Davi nunca viveu a vida de verdade porque nunca quis, sempre teve a vida em sua frente mas sempre rejeitou-a. Heloísa quer vender morangos e arrumar uma sociedade com Davi, Davi acha que quer casar com Heloísa mas só quer "devorá-la", na realidade.

   Passados cerca de três meses nessa pseudoamizade tentando enganar a si mesmo, tentando não, devido ao fato dele já estar enganado acreditando no fato de estar apaixonado, perdidamente apaixonado. Ele não conseguia compreender como ele não conseguia estabelecer de fato uma comunicação com ela, e mais importante ainda, ele não compreendia ela. Tentou de todos os modos chamar sua atenção, levou pra passear, entregou flores, ele desenhou, leu poesias (na realidade abriu um livro e começou a inventar, mesmo sem saber ler ou escrever, ele tinha uma boa imaginação), cantou e dançou. Nada parecia realmente chamar atenção, ele não conseguia compreender sua "amada". Sofreu como ninguém sofrera até então, sofria tentando compreender o porquê de Heloísa ser incompreensível, o porquê de tanta indiferença quanto a suas atitudes desesperadas. Após pensar, e sofre, bastante, em um dia de visitas comprou morangos dela e entregou para ela própria. Nunca vira seus olhos brilhar como viu. Estava resolvido seu enigma, Davi havia finalmente descoberto o porquê de ser tão difícil chegar perto de compreender, compreender é impossível, mas porquê dela não ser compreensível eram os morangos. O porquê da obsessão com morangos ? Impossível. Porque ela não se sensibilizava nem interagia com ninguém como uma pessoa normal ? Morangos.

   Davi concluiu sabiamente o seguinte: levara três meses para chegar a uma solução para o motivo de ela ser tão complicada, por não ser como as outras pessoas e agir como se vivesse em outro mundo distante desse atual, logo seria impossível, levaria a eternidade para chegar a um entendimento aceitável sobre como ela se comportava, compreendê-la.

   Heloísa não estranhou o fato de Davi ter se aproximado e depois de três meses ter se afastado. Nada era interessante pra Heloísa porque ela tem cabeça de bichinho da goiaba, aquilo tudo não significava nada, absolutamente nada, tudo passava sem deixar uma reflexão, sem deixar uma significação, sem ficar uma interpretação dos fatos que se apresentavam, sem deixar uma impressão. Heloísa é uma tábula rasa que não foi marcada com nada, senão morangos. Davi desistiu desse amor, que não era amor, que não trouxe nada para si além de dor, não, dor e reflexão. Essa reflexão fez Davi refletir não só sobre a sua "paixão" como sobre sua vida, abandonou sua vida de agricultor e foi pra cidade grande estudar, terminou ensinos fundamental e médio e graduou-se em Pedagogia. Heloísa cérebro mole ainda trabalha com morangos.

Jorge Madoz

terça-feira, 22 de maio de 2012

Soneto Manifesto IV

A carne, o corpo, o ser humano sem luz,
O que se julga superior a qualquer
Espécie, etnia. Superior aos animais,
Os macacos são piores ?

Essa carne, esse corpo, essa luz apagada, se faz inferior.
O corpo que julga se rebaixa. O macaco é macaco
Ao agir e viver ele é macaco, porém
O ser humano ao não pensar não é humano, é corpo.

Ao pensar, ao iluminar, a luz reconhece
A igualdade de todos. A luz é boa para o todo.
As plantas são plantas devido à luz material.

E os humanos são humanos devido à luz imaterial que tecem.
A luz é imparcial e pensa acima do corpo, dá sentido ao corpo.
Acendei vossas luzes ! Iluminai-vos uns aos outros.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto III

Quem te esconde a luz é quem não a sabe.
Este nunca vai sabê-las.
Se este as soubesse, ele procuraria
Escravizaria e exploraria as luzes.

Quem "gere" o mundo -é imundo- em
Que a inter-relação é maior que a intra
Gera anti-vida. Se a inter, que existe, fosse uma relação boa
Esses não mandariam, fronteiras não existiriam.

Contrariam os princípios por não permitir pensar.
Não permitem o pensar e omitem toda iluminação
Estes te comandam e te controlam. Pensem.

Manipuladores de marionetes por não iluminar.
Não há luz ao não pensar. Conclusão:
Não pensam, logo a luz não se ascende, só a carne. Lembrem.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto II

Pensamentos, sensações e percepções,
De criança e dos tempos dela, não são extintos.
O hoje e o amanhã são a época dela.
A criança é luz quando é ela.

A criança não se conserva no corpo.
O corpo cresce e morre, deixando só
A luz. A criança está na luz, na pureza
E a inocência. O adulto só corresponde em parte à luz.

O pensar é a luz trabalhando,
É a luz sendo. A luz se apóia no
Iluminar para sempre iluminar mais.

Não sufoque quem não deve morrer, matando
A criança, mata-se parte da luz. Jóia no
Cofre é a luz em você, deixa a criança em paz.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto I

Cada cabeça boa pode ser vista de olhos fechados
Se for cabeça boa mesmo, aberta,
Que compreende e examina todos os detalhes,
E se preocupa com o entendimento do ouvinte.

É humilde, não reprime, valoriza.
Cada ser é luz, mas só é visto luz
Quando os olhos não vêem. Mas é visto
Se percebe-se, porque abandonou o egoísmo.

De ser ser humano, egoísta.
Sente-se a presença da luz em movimento, prima
Jamais perfeita mas te alegra por ser luz.

Abaixo dos mais numerosos animais, à vista
O ser humano permanece; E a luz acima
Reside por ser, não vista com olhos, luz.

Jorge Madoz
2011

domingo, 13 de maio de 2012

Soneto para anjos e fadas

Algo que acho estranho
É não acreditar
Que existam os anjos
Os vendo passar.

Sim, as mães dos filhos
Mulheres dos pais.
Donas de um sorriso,
Feitiço de paz.

Coração de amor,
Bondade e esplendor,
Flores perfumadas.

Me pego perplexo,
Anjo que tem sexo
São anjos e fadas.

Jorge Madoz

sábado, 12 de maio de 2012

Minha cidade

Confluência desse rio
Que é a cultura do Brasil.
Junção do quente com frio,
Aos candangos, salvas mil !

O que não devo ao nordeste ?
O que não devo ao sudeste ?
Norte a sul, leste a oeste
Compõem cultura celeste.

Resistiu à ditadura,
Mesmo debaixo de surra
Permaneceu sempre pura :
A nossa nobre cultura.

És capital noite e dia,
És amor, bela poesia.
De onde vem essa harmonia ?
Fruto de antropofagia !

És baião, és bossa, és samba.
Açaí, leite com manga.
És terra, água, vento e chama.
És jegue, jabuti, anta.
Cerrado, que luz tu emanas !
E luz essa que me inflama,
Assim vem a voz que clama:
"Brasilia seu filho te ama !".

Jorge Madoz

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A venda

Compre meu produto !
Veja que qualidade !
Ora que maldade !
Eu não vejo, só escuto !

Eu sei tudo, já vi tudo.
Não me venha com bobagem,
Não vês que tenho bagagem
Como uma hora tem minuto ?

Ora ora senhor, para você ver.
Não sabes nada, tu não és esperto,
Tu és cego, e o pior cego
É aquele que não quer ver.

Jorge Madoz

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tesouro é o amor

Um pirata navegava,
Tinha seu barco,
Sua tripulação era boa.
Ouvia o mar.
Odiava e matava, cometia crimes.
Ria do arrependimento e
Empolgava-se atras de ouro.

É; porém o barco sofreu tempestade, naufragou.

Olhou, ao acordar, pessoas que ele havia roubado e feito mal.

"Onde estou ? Perdi meus tesouros !"
Refletiu depois, "Os fiz sofrer mas eles me ajudaram em troca de nada !".
Mudou seu modo de ver o mundo,
Arrependeu-se, aprendeu a amar.

Jorge Madoz

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aventureiro

Aventureiro,
Ignóbil descontente
Pretende despertar cólera.

Almeja destruir sua alegria,
Tornar descrente e
Rescrever sua história.

Aventureiro, nobre viajante.
Use sua armadura e sua espada
Pois sua jornada, por ser importante
E singular,
É repleta de obstáculos !

E também daqueles que
Vão tentar se tornar obstáculos.
Pernas, pontapés e tentáculos,
Mas por ser você, irá vencer.

Jorge Madoz

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A mente julga

Gelo, neve, rocha,
Areia, sol, mar.
Nada disso vale
Quando a mente está
A chorar.

Jorge Madoz

domingo, 1 de abril de 2012

Tolo que sou

Eu adoro ouvir o violino
Porque o som dele é relaxante.
Ao contrário de ser contrariado
Que me faz facilmente responder grosseiro.

Tolo que sou ao reclamar,
Vejo a natureza se rebelar
Contra o homem explorador,
Que extrai dinheiro e impõe a dor.

Eu adoro ouvir o violino
Porque ele me consola.
Incapaz, sou menino
Enquanto a humanidade chora.

Jorge Madoz

domingo, 25 de março de 2012

Reconciliação

O arrependimento arde,
O rancor, ele corrói;

A reconciliação cura,
A reconciliação reconstrói.

Perdoar os outros e pedir perdão,
Eis a missão.

Jorge Madoz

Poema do sonho

Eu tive um sonho,
Vi um lugar.
Eu me disponho
A vos contar.

Eu tenho esse sonho:
Ninguém sofria por casa de alguém,
O bem era maior que o mal,
O bem ? Que bem ?
O bem moral.

Tenho que manter os pés do chão,
Mas tenho fé nesse sonho, não só meu
De coração, irmão.
E alegria em min choveu.

Corri pelas ruas e vi,
Esse lugar, que mundo é esse ?
Que sensação pude sentir !
Seria bom se todo mundo entendesse.

Seria perfeito,
O amor seria aceito.

Jorge Madoz

quarta-feira, 14 de março de 2012

A mãe Natureza

Se natureza é mãe bonita
Pode haver quem interdita ?
Há quem tem missão maldita,
Missão ? Morte e fadiga.
Fazer o mal contra a bendita
Natureza mão amiga,
É mão de mãe que abriga,
O filho mal ela castiga
Para que ele reflita
E se torne alma erudita
De moral bela e polida.

Jorge Madoz

domingo, 4 de março de 2012

Linha do tempo.

Eu vivera como quem dispensa,
Eu ignorara como quem não pensa,
Eu me infestara como quem perde,
Eu caíra como quem não tem base.

Eu chorei como quem pede,
Eu sorri como quem passa de fase,
Eu reclamei como quem paga multas,
Eu fui como quem vai à lona.

Eu rezo como quem pede desculpas,
Eu penso como quem sonha,
Eu vivo como quem luta,
Eu reflito como quem se arrepende.

Eu aprenderei como quem escuta,
Eu pensarei como quem compreende,
Eu mudarei como quem se reforma,
Eu vencerei como quem melhora.

Jorge Madoz


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Antropomorfismo na metafísica.

Por mais abstrato que o nosso pensar é (ou alcança), não conseguimos fugir do nosso fixo modo de compreender. Na antiguidade tínhamos deuses antropomórficos, nós permitíamos que nossas características fujissem do nosso viver, do nosso dia-a-dia, e se instalassem em nossas próprias ideias.
Permitíamos ? Será que nosso pensamento evoluiu ao ponto de não contaminarmos nossas ideias com nossas experiências físicas ? Eis que não. Como exigimos explicações exigimos verdades, mas como se não bastasse explicações, exigimos verdades que se encaixem nos nossos padrões da percepção, do que é palpável, nos padrões das verdades que nos convencem.
Até procurando entrar no abstrato, exigimos explicações que se encaixem em nossa razão, porém não a razão mais pura no sentido de "fazer sentido", mas uma razão que possa ser tocada, provada e que se encaixe em nossas percepções físicas, uma razão de cunho empírico, como ter início, meio e fim.
É claro que nossa mente não suporta todas as percepções de tudo, nem nossa linguagem tem competência para descrever todas as sensações e sentimentos que já foram vividos ou sentidos ao longo de nossa vida. Nossa mente não suporta todas as percepções nem no mundo da Physis, quem dirá no plano da Meta Physis ? Como podemos exigir que as questões da metafísica sejam respondidas nos moldes de perguntas do plano da Physis ? Como podemos explicar a existência de almas, uma essência individual, sem ir além do pensamento fechado do plano físico ?
É essa necessidade de adequar o abstrato, o extrassensorial às nossas percepções do concreto, como adequar quanto: a aparência, cor, início, fim, finalidade, propósito, massa, volume, densidade, entre outras tantas. É essa necessidade de explicar o extrassensível padronizando quanto às nossas percepções ínfimas (que são esses padrões), que é o antropomorfismo na metafísica.

Jorge Madoz

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Em meio ao sofrimento

Não é para sofrer !
Não é para morrer !
Em meio às dificuldades não ousemos fraquejar.

Não é para enfraquecer !
Não é para perecer !
Desistir é como, sem saber nadar, pular no mar.

Não é para beber (cicuta) !
Não é para bater (em retirada) !
Em meio ao sofrimento só o forte, forte permanecerá.

Jorge Madoz

Imagine só !

Se você vive o que você escolhe
Por meio do pensar,
Inconscientemente você colhe
O que antes esteve a plantar.

Você está em meio aos seus amigos,
É só querer estar com eles !
Uma dúvida tenho aqui comigo:
"Porque privaria a si próprio de deleites ?"

Imagine só, você com todos aqueles
Sorrindo, rindo, e cantando
O ar cheiraria melhor que perfumes franceses

Tão bonito o sentimento emanando,
Que faz cantar as aves, e pular os peixes.
Imagine só, estará mais distante do (danoso) cotidiano.

Jorge Madoz

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A Girafa

Eis que por trás de suas respostas de amigos "imaginários"
Por trás de suas inesperadas idéias marvilhosas,
Sempre esteve a senhora Girafa.
Sócia de suas boas idéias, inclusive a de achar os perdidos.

Por trás do súbito conforto,
Encontrado em suas solitárias noites,
Está a sábia Girafa que ensina a saber.
A senhora Girafa que me ensinou o ABC (da vida).

Como funciona ? Como me comportar ?
O que é um axioma ? Porque não estamos no mar ?
Porque ela não me telefona ? Porque precisamos do ar ?

Melhor ainda quando não vens sozinha,
Traz outros amigos que acalmam minha
Louca solidão aliada à vontade de aprender nada pequenina.

Jorge Madoz

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pitágoras se referindo ao modo de tratar os animais.

"Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor."
- Pitágoras

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Hipocrisia

Atacam os homossexuais,
Segregam os ateus,
Criticam quem defende os animais,
Ofendem quem acredita em Deus.

Ridicularizam quem defende a paz,
Perseguiram judeus.
Desprezam quem não tem capitais,
Discriminam plebeus.

Somos bons em pedir justiça para nós,
Mas somos os primeiros a rechaçar.
Se todos se rechaçam, e esses todos somos nós,
Quem, em pé, permanecerá ?

Jorge Madoz




Soneto da reforma

Arde em mim o desejo de melhorar,
Arde em mim o erro.
É como ardência a dor de errar,
Mas não entro em desespero.

Não posso parar de cantar
As canções que espantam medo.
"E a fraqueza, há ?"
Eis que sim, não sou perfeito.

Antes de chegar no fim
Eu encontrarei o "inalcançável"
E meu coração descansará

Esperança cresce em mim
Como uma planta saudável
Que não precisa regar.

Jorge Madoz

São Basílio em relação à carne

"Os vapores das comidas com carne obscurecem o espírito. Dificilmente pode-se ter virtude se se desfruta de comidas e festas em que haja carne. No paraíso terreno não havia vinho, nem sacrifício de animais e tampouco se comia carne."
- São Basílio

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bom dia

Bom dia, pra quem me ouve.
Bom dia pra quem repara.
Bom dia para quem reflete.

Refleti olhando as nuvens
De manhã, mas que bom dia.
Ou será dia bom ?
Não sei ao certo.

Mas o refletir me deu certeza.
A certeza de poder melhorar
Me alegra e com sutileza.

Jorge Madoz

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Natureza

Inspiração infinita;
Adoração bonita;
Admiração tão linda;
Meu coração palpita..

Expressão que é ativa;
Por mãos não foi construída;
Emanação bendita;
Tu és obra divina.

Jorge Madoz

Filosofar

Eu quero respirar,
Pouco me importa o seu julgamento
Inferior. Julgará
O meu pensar e acharás sustento.

Se faz julgamento destrutivo,
Vai apenas se aproximar dos tolos
Que ridicularizam, atacam sem motivo,
Mas se faz, estás no time dos bobos.

Eu quero respirar, funcionar
Quero saber mais que antes
De decidir filosofar.

Quem amaldiçoará ?
Se minha idéia é dos pensantes,
Dentro da minha cabeça, esse é meu lar.

Jorge Madoz

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Nuvens

Olha lá a bela !
Como ela é rápida !
Pena que nem todos conseguem,
Reparar em tamanha sutileza.
E quanta beleza !

Ilumina meu espírito como luz de vela,
A alegria vem quase automática.
A sensação que tantos perseguem,
Está mais próxima do que a impureza
E é mais pura que a sensação de grandeza.

Como eu queria um dia,
Soltar a criança que sou,
Ao brincar nas nuvens.

Jorge Madoz

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Justiça no dia a dia

Há o homem infeliz,
Estourado, pavio-curto.

Você esbarra no infeliz,
E eis que de raiva, surge um surto.

Perdoemos o espírito,
Porque ele ainda vai aprender.
Ele encontrará um mais estourado,
Do jeito dolorido é que o aprendizado
Vai ser.

Jorge Madoz

Pessoa vazia

O que passa na sua cabeça,
Ao olhar nos meus olhos,
E dizer algo que preencheria.
Mas tão vazio é o "eu te amo",
Que sua própria expressão é vazia.

Passa na sua cabeça :
"Sou sua por agora, mas só agora".
Que chocante ? Preste atenção:
"Meu coração é só seu, mas meu corpo não".

Jorge Madoz

Ironia

Cachorro vira-lata
Entra na sala.
Gato no sofá despreza.

Cachorro vê gato e diz:
"Tá olhando o quê ?"
Gato revira os olhos,
Lambe as patas e responde:
"Sua beleza".

Ironia felina,
Sutil e sofisticada.

Jorge Madoz

domingo, 29 de janeiro de 2012

Moça Linda

Oi senhora linda !
Ela diz: "Senhora tá no céu !"
Mas você também !

Eu ainda; Eu ainda.
Tiro esse véu.
E você moça, me faz bem.

Que beleza fina,
Me é doce como mel.
És tão linda, és como quem diz: "vem !"

De ouro és mais que mina,
De que vale descrevê-la nesse papel ?
Me alegras sem limites, quem ?

Você, das estrelas sois prima.
Para você tiro meu chapéu.
Seja você até o infinito, amém !

Jorge Madoz

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pensamentos 2

Todos pensamos, que dádiva !
Pena que nos julgamos mais do que realmente somos,
Por pensar.

Há os que julgam mal o que
Os outros pensam.
Os que julgam
Seu pensamento mais útil que benção.

Mas devemos pensar o bem
Pois o bem atrai o bem,
E a moral faz-se além.
Não nos permite ser refém
Desse egoísmo que nos retém,
Então pensamento, vem !
E me fazei melhor, amém.

Jorge Madoz

Pensamentos 1

Pensamentos,
Sentimentos :

Lamento,
Sofrimento,
Contentamento,
Divertimento.

Os pensamentos se ligam em cadeia,
Reações fortes que atraem os que nos rodeiam.

Podem nos livrar dos que nos odeiam.
Ou dar um fósforo aos que fogo ateiam.
Podem nos aproximar dos que floreiam,
Ou nos fazer cuspir na santa ceia.

Jorge Madoz



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sorriu ?

Sorriu pra mim,
Meu coração sentiu !

Brilhou assim,
Como água de rio !

Não quero fim,
Quero horas a fio !

Sorriu pra mim,
Um suspiro fugiu !

Lindo Serafim,
Minha lágrima caiu !

Quem viu ? vi
Quem ouviu ? ouvi
Sorriu ?

Tristeza partiu !

Jorge Madoz

Estrelas

Brilha brilha estrela linda,
Brilham brilham,
Estrelas lindas, me contem
O que preciso saber.

Sábias, antigas como a luz
Que emanam, vocês sabem.
Sabem de mim, sabem da Terra,
Sabem dos segredos.

Do bem que vocês fazem,
Vocês estrelas,
Também sabem.

Então iluminem se mereço,
Me dêem forças, se eu devo,
Para um dia vir a ser como vocês.

Jorge Madoz

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ser ou não ser

Como pegadas na areia,
Como um cheiro em um pescoço,
Como a brisa de uma tarde,
Tudo passa, mas não passa.

Passa ao passo de que tudo passa,
Não passa porque se você viu e,
Se existe em memória, ainda
Existe.

Jorge Madoz

Poema da noite no mar

Que sensação é essa ?
Ao admirar a beleza,
Ao ver São Jorge na lua

Ao ver a lua iluminando,
Soltando luz sobre o mar.
As nuvens que nos rodeiam
Acendem a luz dentro de mim

Que sensacional ação;
A natureza age sobre mim
Como o mar reflete a lua.

Vejo a longa vida aqui,
Como quem vê o mar
Pela primeira vez
Descubro sincronia,
Desde a noite, ao nascer do dia.

Que pintura essa que eu vejo,
E me encho de alegria;
Me fortalece como um beijo
De alguém por quem sorria.

Jorge Madoz

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Poema dos explorados.

Porquê sou pior que você ?
Devido aos seus defeitos;
Eu tenho que sofrer ?
O que há de tão importante em mim ?
Porque não tens outra solução ?

Peço perdão se nasci tosco.
Peço perdão se nasci feio.
Perdão também se pareço ignorante,
De acordo com sua ótica egoísta.

Fique sabendo pois, que não escolhi.
Nunca quis saciar seu ego.
Se nós podemos viver bem juntos,
Porquê você não pode ?

Ninguém nasce com o destino de ser
Explorado, você criou isso.
Não mereço a dor que me implica.

Se invertermos os papéis,
Você não gostaria, odiaria
Ceder devido às minhas necessidades,
Só minhas.

Nós somos unidos entre nós, explorados;
Você briga com os outros iguais a você.
Você cria motivos para segregar os que,
São iguais a você, iguais.

O que é mérito de igualdade é o propósito.
Eles que você segrega,
Têm espírito como você.
E os espíritos deles, é muitas, muitas vezes
Mais puro e belo que o seu.

E nós, observamos você.
Aguardando nossa hora de ter;
Ter alguma "utilidade".

Egoísta, suja, pútrida que é.
Servir o desejo de quem só pensa em si.
Podendo ou não deixar de explorar.
Você nem pensa, nem nos considera.

Coma nossas carnes,
Vista nossas peles,
Despeja nossos cadáveres.

Jorge Madoz

Dar vida ao que não tem.

Pinte sua vida.
Reforme seu pensar.
Dê vida ao que não tem.

Se o mundo não te agrada,
Faça sua parte para melhorá-lo;
Dê vida ao que não tem.

Se vês alguém sofrendo
Procure ajudar, vá e assim;
Dê vida ao que está sem.

Se sumiram suas cores,
Crie novas, faça flores;
Dê vida ao que não tem.

Se procuras inspiração,
Na harmonia tem mais de cem !
Que mal tem ? Que mal tem ?
Que mal tem fazer o bem ?

Jorge Madoz

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Minha vida

Se a vida entrar em mim
A minha vida entra na vida;
A minha vida se cruza com a de muitos,
Então se eu estiver cheio de vida
Levo vida pra outras vidas
E em seguida;
A minha vida vai ser lida,
E se a mensagem for mantida
Viveremos unidos após dada a partida !

Jorge Madoz

Batendo as asas.

Podemos voar !
Podemos voar !
Que gênio o meu ao dispensar
Muitas vezes a harmonia à minha volta
É boa para minha raiva por mais.

Momentânea que seja; A luz.
É eterna, é constante.
Minha vontade aumenta ao pensar.
Ao ter certeza do pensar.

Vou alcançar, posso voar !

Jorge Madoz

sábado, 7 de janeiro de 2012

Meu bom lugar.

No topo da minha montanha,
Minha casa aqui fica,
Com seu jardim lindo, lindo !

Resido em paz, vivo feliz
Ajudo quando posso, sempre posso.
Já estive por um triz,
Agora eu viajo em meu balão; Eu gosto.

Eu amo
Estar entre as nuvens belas,
Que como ideias, tomam formas.
Eu sonho, leve eu vivo fora das celas.

Sorrisos, amigos;
Descubro a harmonia.
A melodia eu escrevo,
Eu componho.

Com humilde maestria,
Eu vivo aqui e sonho.
Não fujo, eu vivo.
Meu sonho - no mundo, meu mundo -
Eu jogo no mundo,
No ar eu ponho.

Suponho, mas eu sorrio.
Penso no futuro,
Peço luz,
Estou seguro.

Jorge Madoz

Poema da jornada

Tenho bons amigos,
Tenho a melhor familia,
Tenho os melhores irmãos.

Sim, sim você também !
Você também tem tudo isso,
Você é da minha familia.

Tudo gira e funciona,
Perfeitamente.
Para minha e para sua
Caminhada, trilha.

Jorge Madoz

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Mudanças

Eu paro, e fico te imaginando,
Te pensando.
Fechei os olhos, estou te vendo.
A mesma de sempre sabe ?
Mesmo rosto, mesmo cabelo, altura.

Mas seus olhos mudaram,
Porém da mesma cor, eles não são os mesmos.
Você não aparenta estar diferente.
Você escancara estar diferente.
Você pensa ter feito o certo, mas acho que não.

Você se forçou a se remodelar,
Talvez não tenha feito melhor do que era antes.
Quem foi que disse que fingir não ter coração
É uma tática para viver melhor ?

Bobagem tremenda, não tendo coração
Não tem vida.
Não tendo vida,
Não tem amor.
Não tendo amor,
Não tem felicidade.

É só mágoa atrás de mágoa.
Cuidado pra não se afogar no mar de lágrimas,
Que você mesmo criou.

Jorge Madoz

domingo, 1 de janeiro de 2012

Um Mantra

Vou fazer um castelo
Onde vou morar, com quem eu amo.
Vou batalhar pelos que sofrem,
E fazer sorrisos, como flores, desabrocharem

Vou apagar o sofrimento,
Ajudarei o máximo que puder. Eu vou poder.
Um sol bonito que ilumina e aquece todo mundo
Eu vou ser.

Vou pintar as flores que vão inspirar
O ar que todos vão respirar
Vai ressoar como perfume, todo dia
A vida vai soar como uma melodia

De uma sinfonia, retirarei todo o sentimento
Para me inspirar e fazer minha missão.
E quando a tinta acabar, ou 
O que construí ameaçar desmoronar,
Meus amigos vão me ajudar a levantar.

E com sorriso no rosto,
E uma bela canção no ar, que pairará.
Vou seguir meu gosto
E voltar a caminhar.

Arquitetar e planejar,
Liderar e seguir, melhorar,
Mudar pra melhor, buscar o bem, evoluir
Agradescer, pedir e louvar.

Jorge Madoz