Meu templo é Eu&Eu,
nesse templo, como que quase sempre
de maneira sutil o eu entra sem pedir licença
A que entidade psíquica se pode atribuir o desejo autofecundo ?
Esse desejo mobilizado pela falta, o buraco do Real na cerne da psique
Bordeado pelo objeto a, saravá Lacan, desloca-se de significante em significante,
mobiliza o sujeito dividido que agora traduz em símbolos seus desejos.
Porém o Sujeito fala, e no estranhamento entre Sujeito Integral
-corpo, sentimento, movimentos, maneiras, tiques, sonhos,
reações exageradas, esquecimentos, lembranças excessivas, etc-
e sua parcela componente chamada de 'eu', vemos a completude.
Mesmo em tempos em que o 'eu' se degladia contra o Sujeito integral
é a própria situação de conflito o equilíbrio, como na magia da dialetização,
Cuja síntese resultará em um novo Todo. O Sujeito Integral é o Self,
no xamanismo meu humilde orientador nomeara de Eu Maior, Eu Ideal.
Belíssima situação de equilíbrio e completude se assume quando o Eu Ideal entra em cena.
Dormem Intelecto e Eu ? A Integralidade é simplesmente o perfeito equilíbrio dinâmico,
Intelecto e Eu, com suas particularidades <<intelecção e individuação, importante posto que somos células unitárias>> e sua demanda originada do Real.
Essa demanda que sempre nos chega
E até quando aparenta não ter chegado é a demanda acontecendo.
A dor de perder algo, alguém, é a demanda acontecendo,
o perceber posteriormente que a dor da posse é apego, é a demanda.
O Dharma está no Real, e nos permeia independente de como apreendemos isso,
de que nome damos para nossas demandas. O Dharma é tudo que nos chega
em uma posição em que somos Sujeito, que demandam diretamente e indiretamente nossas ações.
O Sujeito Integral, intuitiva e racionalmente, sombraeluz- mente,
transcendido o simbólico, experiencia a totalidade do Real.
O simbólico é o registro de tudo que é expressão, letra, comunicação,
lógica, posto que é o registro onde está inscrito as cisões, que possibilitam a definição.
Apenas pela ausência se define a presença, apenas pelo desprazer nomeia-se desprazer.
Além da letra, além da mente, mas somente a mente letrada, refém da linguagem formal.
A mente imagética, permanece traduzindo o real, e posteriormente
É possível apreender esse Real experienciado imageticamente em um discurso simbólico
seja ele a mera verbalização, o contar, a vivência mnêmica,
artístico-poético, cênico, pictórico, musical, a escrita de prosa anacrônica ou linear.
Os trabalhos espirituais de desconstrução de couraças
são a tradução em imagens oriundas das memórias do indíduo.
O que se traduz nessas imagens ? O chegar à luz da consciência,
o processo dialético da aceitação do que antes se reprimia,
seja ele um problema de autoimagem do 'eu', realização quanto a uma decisão,
resolução de um grande trauma familiar, ou infinitos.
A desconstrução de uma ideia problemática, que disponibiliza respostas negativas
que põe o indivíduo em constante estado de defesa, demanda muito, além do mais,
a grande maioria desses processos conta com a disponibilidade do 'eu', em aceitar ou não.
Nos processos de repressão é natural que o 'eu' tenha aversão a o que é recalcado,
já que o recalcar é justamente o 'projetar fora', expulsar de si tudo que não se quer ver,
delegando ao inconsciente, já que não existe o "fora" psíquico.
É notório que um sujeito em que atuam muitos processos de repressão,
a proporção recalcado-eu recalcador é muito maior, implicando em aversão
a mais partes constitutivas de si mesmo. Isso resulta muitas vezes em processos de desconstrução
violentos quando não respeitados e muitas vezes a resolução final pode ser pior que a inicial
se não respeitado a própria ação do sujeito em sua trama (intervençao externa)
A resolução do que antes estava não-resolvido, agora passa a fluir,
aceitando se libera a tensão da retenção energética, é possível ter a sensação de orgasmo.
A transcendência é um grande e fascinante fenômeno, onde a integralidade pode ser tangida.
Longe de mim afirmar a compreensão do universo em si
mas definitivamente a experienciação mais direta possível entre Sujeito/Real.
Sem o intermédio de símbolos, sem o intermédio da língua, nem da linguagem.
É necessário afirmar que o pensar racional é necessariamente simbólico e linear,
Que para seu funcionar adequado, é indispensável que o 'eu' se aliene ao seu raciocínio.
Alienar-se ao simbólico significa tomar o mapa pelo território em si,
Assumir - e essa assunção é metapsíquica - que o meio pelo qual se percorrerá é legítimo,
a legitimação da linguagem que se utiliza, assim o indivíduo se aliena à linguagem de que se vale.
Como o amante realmente crê estar expressando seu amor com um longo texto sobre seus sentimentos, mais percebe que se está afastando mais e mais de seu sentimento, posto que valendo-se da razão, alienado a esta, o sentir afetivo do amor não é possível, e é jogado pra escanteio.
O próprio Real não pode ser tangido pelo Simbólico, o que se passa sempre
É uma aproximação, uma amarração, uma metonímia, toma-se sempre o Todo pelo Nome.
Quanto mais se pensa a cerca do sentir, mais se está pensando, e menos se está sentindo,
isso se revela com majestade no Taoísmo.
Mas bem, a verdade em si não é tangido no âmbito do simbólico,
mas a relação social, que legitima o ser social, é mediada pelo simbólico.
Então a tentativa de simbolizar um Real apreendido é válida como produção de um saber,
não como saber absoluto ideal, jamais, posto que é uma expressão simbólica como qualquer outra e não é jamais a coisa em si.
Jorge Madoz
quarta-feira, 29 de abril de 2015
quinta-feira, 14 de março de 2013
Mitcha o Tiranossauro
Desde o começo dos
tempos, Mitcha, o dinossauro sofria de solidão. Conhecia muita gente, muitos
dinossauros, muitas cabras, e outros animais, mas nenhum deles preenchia o
vazio que Mitcha sentia no dia-a-dia
(não um vazio como o vazio de um senhor rosquinha, mas um vazio.. não palpável,
ah, não palpável é óbvio visto que é um vazio, então vamos falar que é subjetivo..
vamos falar não, eu vou falar, você apenas lê).
Mitcha morava numa
aldeia movimentada, com muitos outros animais e dinossauros, e embora fosse de
uma espécie admirada (tiranossauro rex), não gostava do modo como as pessoas o
tratavam: “eles estão sempre sorrindo, fazendo as coisas pra mim, é sempre ‘ai
senhor tiranossauro magnífico é claro que podemos providenciar pro senhor’ e
blablabla, falsidade do cacete”. Ele namorou uma vez, foi muito bom pra ele e
tudo mais, namorou uma zebra, o nome dela era Marcelinha (é muito engraçado que
alguns pais colocam o nome da filha de um apelido, né ? Eu conheci um garoto
uma vez que o nome dele era Biel, Biel, e não Gabriel, mas o apelido dele virou
Gabriel de qualquer jeito) e ela estava sempre feliz e contente falando sobre
as festas da floresta e sobre os hobbies dela, que gostava de comer batom e etc, mas nunca sobre alguma outra
coisa, como um livro (você reparou que aqui falei que eu como um livro ? Gostei
muito disso, não de comer o livro, isso eu só falei, mas essa vírgula..), uma
música, uma ideia, ou algo do tipo e isso incomodava profundamente Mitcha. Ele
um dia terminou com ela porque viu ela traindo ele com o Bento chimpanzé, que era padeiro da aldeia, na sua cama (na sua não, leitor, na do personagem principal dessa história).
“pelo menos não foi na minha biblioteca”, pensou.. e depois devorou os dois.
Passava os dias pensando, sozinho, tocava um pouco de saxofone aqui (com os bracinhos de tiranossauro), lia um livrinho ali, mas sempre solitário e com esse vazio subjetivo. Muitas vezes ele chorava sem saber porque, olhava pela janela esperando ver alguma coisa que não sabia, mas nada vinha, nada acontecia. Antes costumava jogar futebol com os animais da aldeia, era goleiro do time dos macacos, até tinha disputado uma final de campeonato, mas acabou perdendo pro time das zebras e leões num dia ensolarado de domingo. Mas quando o vazio ficou muito claro e expressivo, Mitcha nunca mais jogou, também nunca mais jogou ping-pong (também com os bracinhos) com seu parceiro rinoceronte Joe, com o qual nunca mais falou desde que sua solidão aguda começou.
Você deve estar se
perguntando o resto da história, mas há também uma dúvida interessante que eu
não tinha pensado até agora, porque assim, dinossauros vivendo com zebras,
elefantes, gnus e tal ? Imagina essa aldeia, você tá numa boa tomando um café
quando você vê pela janela um dinossauro, de terno, faminto, comendo uma vaca
que estava apenas querendo pagar as contas na lotérica. Um dia normal no
supermercado, ai “boa tarde senhor, CPF na nota ?”, “não obrigado”, então o
atendente e o cliente se olham e pam ! Um velociraptor comprando uns
equipamentos pra casa como cera, rodo e tal, e o atendente, uma capivara, então
eles se olham, um minuto de tensão, e tchau capivara, tchau atendente, tchau
capivara atendente. Se você teve essa duvida, ou está tendo agora, não pense nisso
porque afinal é um buraco difícil de tapar.
Enfim, Mitcha e sua
solidão estavam passando um dia pela aldeia, cabisbaixo, quando de repente
encontrou uma tiranossaura linda e maravilhosa, tomando sorvete, sentada perto
da fonte. Mitcha correu e sentou lá e, sem nem pensar, pois ele não estava
controlando seu corpo nem seus pensamentos, deu uma lambida no sorvete da
tiranossaura. Eles se fitaram longamente, até que ela falou: “tu é doidé ?”, Mitcha achou aquilo muito sincero, e nada fútil, como
ninguém jamais fora, e nunca esqueceu aquela belas palavras e aquela voz de
taquara rachada. Desde esse momento, seu vazio desapareceu, e após muito tempo
de conversa, os dois começaram a namorar, falando sobre coisas profundas, e
sobre como é uma coisa boa na aldeia ser tiranossauro porque se alguém faz algo
que não se gosta, simplesmente devora-se esse alguém, e riam bastante. Casaram-se de pois, tiveram filhos, e morreram juntos com o fim dessa história.
Jorge Madoz
sábado, 2 de março de 2013
Soneto de uma Salvação
De mal humor, sinto-me taça cheia,
Jorge Madoz
Me vejo errante, distante do amor.
De repente, descrente, bela flor
Para me salvar, só você, sereia.
Anjo do mar, princesa, Deusa minha
Em meio a tanta dor, está sozinha.
Eu prepotente, indeciso. Sou só
A criança que balança ali, ó.
Me afogando nesse mar de lamentos
Sinto uma mão que me puxa, me ajuda,
Me mostra o fim do tolo sofrimento.
Essa mão tão doce, que me segura,
Aponta a direção pro meu rebento
Amor, para meus males, minha cura.
Jorge Madoz
Poema de um presente atordoado
Na vida tudo é questão de costume,
Deve-se acostumar-se.
Mas porque então pedir perdão
Depois de tanto tempo ? Não acostumou-se ?
Após tanto tempo acostumado a dormir no chão
Alguém escolhe se acostumar com o colchão.
É sensatez querer se acostumar com o melhor !
Não é falta de noção.
E se após pedir perdão,
Ouves um sonoro "não!" ?
A semente contida no perdão
Já foi plantada no coração,
Pode apostar.
Jorge Madoz
Deve-se acostumar-se.
Mas porque então pedir perdão
Depois de tanto tempo ? Não acostumou-se ?
Após tanto tempo acostumado a dormir no chão
Alguém escolhe se acostumar com o colchão.
É sensatez querer se acostumar com o melhor !
Não é falta de noção.
E se após pedir perdão,
Ouves um sonoro "não!" ?
A semente contida no perdão
Já foi plantada no coração,
Pode apostar.
Jorge Madoz
domingo, 19 de agosto de 2012
Johnson, o Ditador
O fato de gostar de animais não implica querer ter relações sexuais com eles, ser a favor do casamento homossexual não significa ser homossexual, ser feminista não significa ser mulher, ser racista significa não ser racional, ser esquedista não significa ser pobre e ser de direita não significa ser milionário (mas significa querer ser, e detestar a ideia de ajudar os pobres com o dinheiro arrecadado por impostos, afinal eles que se virem trabalhando ou estudando, "não, estudando não, trabalhando apenas estudar é pros meus filhos".). É engraçado ver como se estabelecem essas mensagens em nós através de um tipo de lavagem cerebral discreta oriunda da televisão, mídia no geral e no convívio de nossa própria sociedade. Não é engraçado, é horrível e dificulta nosso convívio social, embora pareça engraçado para alguns fazer piadas de "mulher na cozinha". O leitor guaxinim com certeza absoluta gritou agora: "MENTECAPTOS!", grande maioria dos guaxinins são cultos e não gostam desse tipo de piada, eu também não. Você sabe o que é mentecapto ? Dicionário, agora. Descobriu ? Ótimo, agora continuemos o conto.
"Extermínio agora !" gritou o ditador Johnson, extermínio de todos os que não se enquadravam no perfil dos cidadãos para seu projeto de cidade nova (referencia ao Estado Novo de Vargas ? É ! Cultura de graça), todos teriam de apoiar incondicionalmente o líder, achá-lo atraente, os comunistas seriam assassinados, capitalistas bilionários e milionários também (milionários e bilionários por terem dinheiro a ser confiscado, comunistas morriam por quererem derrubar Johnson e instalar outra ditadura), os heterossexuais eram assassinados e.. claro que não, isso é o que a bancada evangélica diz que vai ocorrer com a legalização do casamento gay e não o que eu digo na minha história, enfim, homossexuais eram assassinados, deficientes mentais e paraplégicos também, bastante similar com a política do terceiro reich, mas o judeus ficaram numa boa nessa, os imigrantes, por outro lado, não.
Johnson tinha 1,67m e 90kg, era gordo, bem gordo, branco com uma marca de nascença no pescoço, era careca, daqueles bem careca mesmo, que passam máquina zero na cabeça e depois passam gillette, adorava mulheres (mas elas não o adoravam) e queria ser atraente mas nunca conseguiu desde o ensino médio, e esse sofrimento acabou alimentando esse seu ódio e essa loucura, que canalizou em sua carreira política. No seu plano de sociedade nova, queria matar todos os que se opusessem a ele, ao seu governo, e os que fossem uma ameaça a sua sociedade nova, paraplégicos e deficientes mentais por supostamente prejudicarem suas gerações futuras e homossexuais por não se reproduzirem, imigrantes porque seu padrasto era imigrante italiano e batia nele, esse era seu modo de superar. Johnson tinha um exército extremamente forte para um chefe de Estado em sua posição, mas seu autoritarismo era exercido não pelo exército, mas pelos próprios cidadãos, ele incentivava os cidadãos a denunciarem cidadãos suspeitos, filhos eram ensinados na escola a denunciarem até mesmo os pais se demonstrasem um comportamento suspeito. Seria engraçado imaginar um filho denunciando o pai por homossexualismo porque o pai cansado do trabalho chegou e não quis transar com a mãe, ocorreu, há registros disso.
No começo as coisas correram bem, relativamente, claro, a sociedade caminhou para o estágio novo do plano de Johnson, porém com o passar de exatos 6 meses, as denúncias passaram a levar a sociedade a outro estágio, um rumo diferente estava sendo tomado, os cidadãos comuns passaram a denunciar uns aos outros por motivos aceitáveis, aos olhos do novo governo (por não acharem o ditador Johnson atraente, essa era a maior acusação), e tirar proveito disso para conseguir promoções no emprego, para eliminar rivais de escola, eliminar quem dava uma fechada no trânsito, e o governo passou a gostar disso, Johnson achava possível que com essas medidas uma sociedade sem babacas, mais agradável de se viver, sem desgraçados, homossexuais, comunistas sujos, criminosos, fosse instituída.
Mas com o passar do tempo, a população começou a decrescer absurdamente, a taxa de mortalidade era absurdamente alta e a natalidade baixa pois ninguém queria ter filho em uma sociedade doente (doente no sentido de quando alguém é absurdamente nojento ao contar uma história e parece não perceber quão nojento tal parte da história é, e além disso, parece gostar bastante da parte nojenta. Essa pessoa é um doente.). Até que chegou o dia em que fazia 1 ano desde que sua ditadura foi instalada, e ao sair na rua para as comemorações, viu que não tinha ninguém nas ruas, foi para a praça principal da cidade, e também não tinha ninguém. "Essa não, onde será que estão todos ?", "talvez uma festa surpresa !", foi em todos os lugares da cidade e não achou ninguém, era um dia estranho, quieto, ninguém havia lhe dado bom dia, até que teve uma grande ideia "talvez as comemorações estejam acontecendo na área de execução, para comemorar uma sociedade limpa !", ao chegar lá só havia uma pilha de corpos fuzilados (fuzilamento era a onda do momento), Johnson decidiu, não, concluiu, que a festa estava ocorrendo, estavam todos ali para ele, e se juntou a eles se suicidando, sendo a cereja daquele sundae de "opositores" mortos. De fato consegusites uma nova sociedade Johnson ! E aliás, ninguém te achou atraente em nenhum momento, seu babaca.
Jorge Madoz
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Alexandre, o tolo.
De que vale ter nascido em um bosque repleto de árvores bonitas, perto de um lindo rio, em uma vila onde só existem bons vizinhos, onde existem novas coisas para se descobrir a cada dia; onde há o mais bonito de todos os céus, um magnífico pôr-do-sol e um nascer do sol fascinante, de fazer cair o queixo; de que vale tudo isso se não se dá valor ? Ter todas as melhores coisas e não dar valor a elas é como ter braços e não usá-los para escrever, para se coçar, para se lavar, para fazer toda e qualquer coisa que precise dos braços, inclusive plantar bananeira.
Alexandre é um homem que abandonou toda e qualquer consciência do que possuia, de tudo que lhe foi dado pela vida. Alexandre nunca soube que a vida é constituída de altos e baixos e que ambos são temporários, nunca soube que a única certeza, é que para não ser derrotado pela vida, deve-se apreciar as pequenas coisas, essas que nos são dadas. O combustível para passar por cima, esmagar os obstáculos da vida é retirar o máximo proveito dessas pequenas coisas, pôr-do-sol, observar formigas em suas tarefas do dia-a-dia, e tudo mais. Mas assim como alguém que decide não usar os braços mesmo possuindo-os e pede a algum outro para coçar sua perna, Alexandre buscou em outras lugares o que tinha em suas mãos.
Tudo ocorrera muito rápido, mas na realidade a solução para todos os problemas de sua vida sempre estiveram na sua frente mais acessíveis do que qualquer outro caminho menos sofrido. Alexandre trabalhava em uma empresa, onde vendia serviços para outras empresas. A vida não era muito interessante lá, a ambição de se tornar funcionário do mês é a que imperava afinal o funcionário do mês recebe um aumento de 5% do salário. O ciclo da vida do rapaz era ir para o trabalho, voltar e descansar pois no dia seguinte teria mais trabalho. Fins de semana são dias livres para se fazer algo legal como dormir mais ou ir para o rio que fica perto de sua casa. Antes ele costumava sair com os amigos, mas essa rotina era mais maçante ainda pois por mais que achasse que sair com "os amigos" nos fins de semana fosse melhor do que dormir, na realidade o dia seguinta à saída era sempre pior e repleto de reflexões indesejáveis. Esses seus "amigos" arrumaram outros empregos e se distanciaram, alguns continuaram com a rotina de trabalhar a semana toda e no fim de semana sair para alguma festa.
Mas o que poderia ser feito ? Alexandre sempre teve a capacidade de refletir, e sempre que refletia, aparecia uma solução para sua vida, se o seu trabalho era chato, fato era que Alexandre tinha potencial para arrumar um outro melhor. Antes, porque depois ele cortaria todo seu potencial intelectual para trocar por sensações que ele nem se lembrava no dia seguinte, assim como quem corta árvores em extinção para fazer móveis que ninguém vai comprar, e mesmo se alguém comprasse, não teria o mesmo valor que tem uma árvore. Todo dia, existem obstáculos da vida a serem superadoos, mas a capacidade de superá-los reside dentro da cabeça de qualquer indivíduo. A força necessária para superar está em aproveitar as pequenas coisas da vida, estar acima de tudo o que desagrada, saber que toda má fase é temporária, que se for investir em alguma coisa deve-se investir nas coisas que ficam, e não nas passageiras como Alexandre o fez.
Um belo dia Alexandre viu-se imerso nessa rotina, sentiu se miserável ao perceber que viveria todo dia a mesma coisa, seria como um eterno retorno. Usou sua cabeça e decidiu sair em busca de qualquer coisa que o fizesse ir além, quebrar a rotina. Decidiu sair, decidiu cheirar todas as flores em seu caminho sentindo o aroma de cada uma delas e depois decidir qual era a melhor. Talvez plantar a melhor, não sabia ao certo. Saiu cheirando todas as flores, as margaridas, as orquídeas, as violetas, as rosas, as roxas, todas até chegar em uma chamada de Flor Doida, Floroida, Flor que Endoidece ,e por alguns poucos chamada de Banana-sofá. Na realidade ninguém chamava a flor de Banana-sofá. O grande problema é que essa flor, a Flor Doida, na realidade é uma droga alucinógena, e seus efeitos têm uma duração de cerca de uns 15 minutos. Alexandre então viu-se em uma perfeita situação, descobrira a fonte de alegria para sua vida, a solulção para seus problemas, descobrira o fim da monotonia.
Infelizmente Alexandre não conseguiu pensar de maneira imparcial e foi levado a crer que a única solução era cheirar Floroida todo dia, sempre que quisesse relaxar ou se distrair. A primeira semana foi ótima, ele não cheirava todo dia e muito menos toda hora, só nos fins de semana. A segunda e a terceira foram um pouco distintas, pois foi acrescentado o consumo de perfume de Flor que Endoidece nas quartas feiras. A quarta semana foi o decreto para o futuro de sua vida. Declarou ser dependente de Floroida para todo e qualquer momento, sempre que estivesse triste em busca de se alegrar, sempre que estivesse feliz em busca de ficar mais feliz ainda, para relaxar, para olhar pro céu, para ver televisão, ouvir um som, tudo. Alexandre atrelou todo e qualquer momento desagradável de sua vida à falta de flor, e todo momento feliz à necessidade de ter mais flor na cuca.
Após o primeiro mês de sua "grande descoberta" Alexandre foi demitido por estar agindo de maneira pirada. Não deu a mínima, afinal "aqueles malditos alienados do meu trabalho não sabem nada sobre a real felicidade da vida, sob os verdadeiros propósitos de viver". Arrumou um trabalho onde pagava-se infinitamente menos que o anterior, mas lá ninguém o julgava e isso era o que importava. Se alimentava muito mal, quase nunca tomava banho, perdeu sua vontade, sua gana, e sua qualidade de vida caiu absurdamente, faltava até sabonete em sua casa, mas nada importava afinal "coisas materiais não importam, não estou mal, estou muito bem, estou perfeito". Abandonou a vida real por uma "realidade virtual", abandonou as verdadeiras alegrias da vida pelas falsas. Encontrou um caminho muito bonito e atraente, tudo era fácil nesse caminho onde até era possível ver os outros, e como o caminho deles era mais difícil ! Uma pena é que o caminho difícil leva às grandes conquistas, e o caminho das coisas fáceis infelizmente é o caminho da ilusão. "Só tolos podem tentar viver uma vida sem saber curtir". É, realmente Alexandre, você deve saber curtir bastante ! Deve ser um artista exímio na arte de viver a vida ! Uma pena é que não sabes tomar banho.
Alexandre viu sua vida ruir, não, ele não viu nada, ele não via nada, ele não via a hora de dar uma cheirada em sua bela flor. Mas a realidade foi outra, nada estava bem, nada, alexandre mesmo que não estivesse prejudicando seu corpo, aleijara sua mente, aleijara seu psicológico. Alexandre não precisava de olhar pro céu para se alegrar, nem precisava ter uma hora de difíceis reflexões sobre sua vida atual como fazia, era apenas cheirar a flor e aproveitar as sensações passageiras. Alexandre perdeu sua casa pois não pagava o aluguel há muitos meses, e como eu havia dito, perdeu sua consciência da realidade. Adorava chamar as pessoas que não eram como ele ( pessoas que não eram viciadas em cheiro de flor, não "curtiam a vida", pessoas que tinham empregos. Pessoas que viviam suas vidas sem precisar de alguma coisa senão a própria sanidade mental, a própria razão) de alienados. Ora essa ! Alienados, Alexandre ? Não será você que foi alienado e tornou-se escravo de meras sensações ? Abdicou de sua vida inteira por meras emoções ? Pediu para alguém te coçar sendo que possuia braços ? Nascido em um lugar tão belo, tendo vivido sempre com a verdadeira felicidade à sua volta, tendo todas as ferramentas para ser feliz em suas mãos, preteriu a vida à uma falsa vida, esse é nosso querido Alexandre, o tolo.
Jorge Madoz
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Que é a Vida ?
Pois frequentemente,
A vida derruba.
Corta a bela juba
Leão sorridente.
Esmaga teu orgulho,
Te faz dar mergulho
Em um mar de rosas
Falsas, mentirosas.
Não pise na bola,
A vida ? Escola !
"Leão, já pra jaula"
Uma dor por aula.
A felicidade ?
Existe, verdade !
Algo ter ? Não ser !
É o modo de ver !
A vida é parente
Bem próximo, sim
Do que você sente
Vendo um Serafim.
A felicidade
É a esposa da vida.
A vida vivida
Feliz é quem sabe.
Como a flor de liz,
Sim, o casamento,
Mais perfeito e bento
É a vida feliz.
Jorge Madoz
A vida derruba.
Corta a bela juba
Leão sorridente.
Esmaga teu orgulho,
Te faz dar mergulho
Em um mar de rosas
Falsas, mentirosas.
Não pise na bola,
A vida ? Escola !
"Leão, já pra jaula"
Uma dor por aula.
A felicidade ?
Existe, verdade !
Algo ter ? Não ser !
É o modo de ver !
A vida é parente
Bem próximo, sim
Do que você sente
Vendo um Serafim.
A felicidade
É a esposa da vida.
A vida vivida
Feliz é quem sabe.
Como a flor de liz,
Sim, o casamento,
Mais perfeito e bento
É a vida feliz.
Jorge Madoz
terça-feira, 26 de junho de 2012
Realidade Vigente
A natureza é forte, implacável.
O homem-tolo destrói o índio.
O homem-tolo é escravo do poder.
O homem-tolo só quer dinheiro.
A natureza responde com mortes e catástrofes.
O homem-tolo tira dos pobres,
Ele não é humano pois tortura
Os humanos, que choram.
Ele destrói o planeta, ele é egoísta.
"Pouco me importa natureza,"
"Cadê meu economista ?"
"Não acredite em igualdade !"
"Todos iguais ? Alegria ?
Comunismo ? Barbaridade !
Isso não existe é utopia !"
Como seremos iguais
Se o próprio explorado rechaça
A união e a paz e o fato de sermos iguais ?
"Tá doido ? Só quero puta e cachaça!"
Não há como abrir os olhos
De quem não quer ver.
A exploração está a nossa volta,
O explorado só quer sobreviver.
Viver de restos, sofrer
Estudar em escolas ?
Não, jamais ! Será peão, pode ser ?
Se não, viverá de esmolas.
E então ? E a natureza ?
Esta força sobre-humana
Alivia a incerteza,
E reina soberana.
Mudanças virão, sim.
E a justiça será feita, com certeza.
Há quem olha pelos habitantes
Do planeta
E por toda sorte da verdadeira riqueza.
Virtude.
Jorge Madoz
O homem-tolo destrói o índio.
O homem-tolo é escravo do poder.
O homem-tolo só quer dinheiro.
A natureza responde com mortes e catástrofes.
O homem-tolo tira dos pobres,
Ele não é humano pois tortura
Os humanos, que choram.
Ele destrói o planeta, ele é egoísta.
"Pouco me importa natureza,"
"Cadê meu economista ?"
"Não acredite em igualdade !"
"Todos iguais ? Alegria ?
Comunismo ? Barbaridade !
Isso não existe é utopia !"
Como seremos iguais
Se o próprio explorado rechaça
A união e a paz e o fato de sermos iguais ?
"Tá doido ? Só quero puta e cachaça!"
Não há como abrir os olhos
De quem não quer ver.
A exploração está a nossa volta,
O explorado só quer sobreviver.
Viver de restos, sofrer
Estudar em escolas ?
Não, jamais ! Será peão, pode ser ?
Se não, viverá de esmolas.
E então ? E a natureza ?
Esta força sobre-humana
Alivia a incerteza,
E reina soberana.
Mudanças virão, sim.
E a justiça será feita, com certeza.
Há quem olha pelos habitantes
Do planeta
E por toda sorte da verdadeira riqueza.
Virtude.
Jorge Madoz
sábado, 26 de maio de 2012
Pobreza na mão de muitos
Venho agora declarar
A discussão de um assunto
Que ao se discutir assim
Quem o faz torna-se louco.
Discordo pois não acho certo.
"É indiscutível !". Será ?
O comodismo é um caruncho,
O pensamento é um sem fim
Mas pode nunca ser novo
Se domado pelo esperto.
Aqui se discutirá
-Alienação faz defunto-
O povo sofre um pouquinho
A cada imposto para o porco
E o povo se mantém quieto.
Como dois mais dois são quatro:
Pobreza na mão de muitos
-Não negue, veja que sim-
Riqueza na mão de poucos.
Se não percebes, eu alerto.
Então percebes que eu faço
Tornar o distante junto.
Marionete és enfim,
A alienação torna-te morto,
És a (verdadeira) cortina de ferro.
Jorge Madoz
A discussão de um assunto
Que ao se discutir assim
Quem o faz torna-se louco.
Discordo pois não acho certo.
"É indiscutível !". Será ?
O comodismo é um caruncho,
O pensamento é um sem fim
Mas pode nunca ser novo
Se domado pelo esperto.
Aqui se discutirá
-Alienação faz defunto-
O povo sofre um pouquinho
A cada imposto para o porco
E o povo se mantém quieto.
Como dois mais dois são quatro:
Pobreza na mão de muitos
-Não negue, veja que sim-
Riqueza na mão de poucos.
Se não percebes, eu alerto.
Então percebes que eu faço
Tornar o distante junto.
Marionete és enfim,
A alienação torna-te morto,
És a (verdadeira) cortina de ferro.
Jorge Madoz
quinta-feira, 24 de maio de 2012
A "história de amor" de Davi e Heloísa.
Heloísa é alguém que Davi deveria ter conhecido melhor, mas infelizmente isso não aconteceu. Durante muito tempo tentou compreendê-la mas isso se mostrou tão complicado que toda e qualquer vontade de aproximação se dissipava por completo a partir do momento em que ele pensava melhor sobre essa possibilidade. O porquê de tanta complicação ? No começo Davi chegou a pensar que não existia porquê, mas com o passar de tantos dias e tantas noites acabou conseguindo entender a complicação, mas entender Heloísa não, então vamos ao início dessa história.
Heloísa é uma camponesa, tem 29 anos, é ruiva, planta morangos e os vende na feira da cidade onde mora, que é Botuangas. Sua vida não é interessante. Não é uma vida do tipo "não interessante" a qual a maioria das pessoas do mundo vive, onde se vive uma rotina, mas existem ambições e interesses particulares como casar, ter familia, comprar uma geladeira nova, ambições gerais de qualquer pessoa comum. É um tipo de "não interessante" porque além de viver imersa em sua rotina, Heloísa vive em função de sua rotina, suas ambições são a sua rotina, sua venda é seu destino não por imposição de ninguém (ou quem sabe seja , indiretamente) mas porque ela quer que seja, seu sonho é ter um bom dia de feira, seu descanso é apenas dormir pensando na venda dos morangos, sua familia são seus morangos, talvez não a parte da familia porque não se vende seus filhos para os outros se alimentarem desses, não uma pessoa normal até porque isso deve ser crime. Sim, Heloísa é extremamente chata e seu assunto se limita a vender morangos.
Davi tem também 29, é moreno, barbudo e tem cabelos grandes, é camponês, planta e vende beterraba, chuchu e abóbora e mora em um vilarejo chamado Tuturu, mas como nesse vilarejo não há feira Daví pega o que produz semanalmente e leva para as cidades próximas. Nessas cidades ele vende o que produz e compra o que precisa para sua sobrevivência durante as próximas semanas, as vezes também compra um livro mesmo não sabendo ler. Em uma dessas viagens Daví conheceu Heloísa, e foi amor pela primeira vista. Talvez foi amor a primeira vista, ou talvez foi apenas um fascínio afinal a beleza de Heloísa causa deslumbramento em todos que a vêem. O início de seu encantamento não é o importante, mas o ponto de partida será esse dia.
Não foi um dia belo de verão ou primavera, não havia belas nuvens, havia apenas um céu nublado, um dia morno, e um clima de fim de tarde de uma segunda-feira ou domingo. Daví viu Heloísa e "viu-se imerso em um estranho e novo sentimento, sentiu-se apaixonado devido a sua beleza estonteante", ou como não vivia certas emoções (com "certas emoções" eu quero dizer relações sexuais) há bastante tempo viu aquela bela moça e sentiu o "mais puro amor de todos". Logicamente, Heloísa estava vidrada em seus morangos e nem notou a presença de Davi, nem notou é realmente muito, ela notou porque ele ficara puxando conversa o tempo todo. Davi olhou pro céu e achou o céu "a coisa mais linda do mundo, a seguna aliás, porque a primeira estava diante dele". Heloísa achou legal ? Gostou ou não ? Heloísa não achou nada. Acharia legal se ele estivesse com uma camisa com desenho de morangos. Então acabou a feira e Davi teve de retornar à sua casa.
Davi desenvolveu uma obsessão e se "apaixonou", não necessariamente nessa ordem. Passou a frequentar mais a cidadezinha de Botuangas para ver Heloísa, e eles viraram amigos. Não aqueles amigos que conversam sobre tudo, comentam tudo e contam tudo de suas respectivas vidas. E sim aquela amizade onde um quer uma coisa e outro quer outra sendo que nenhuma dessas coisas é amizade. Heloísa é uma chata de galocha, Davi nunca viveu a vida de verdade porque nunca quis, sempre teve a vida em sua frente mas sempre rejeitou-a. Heloísa quer vender morangos e arrumar uma sociedade com Davi, Davi acha que quer casar com Heloísa mas só quer "devorá-la", na realidade.
Passados cerca de três meses nessa pseudoamizade tentando enganar a si mesmo, tentando não, devido ao fato dele já estar enganado acreditando no fato de estar apaixonado, perdidamente apaixonado. Ele não conseguia compreender como ele não conseguia estabelecer de fato uma comunicação com ela, e mais importante ainda, ele não compreendia ela. Tentou de todos os modos chamar sua atenção, levou pra passear, entregou flores, ele desenhou, leu poesias (na realidade abriu um livro e começou a inventar, mesmo sem saber ler ou escrever, ele tinha uma boa imaginação), cantou e dançou. Nada parecia realmente chamar atenção, ele não conseguia compreender sua "amada". Sofreu como ninguém sofrera até então, sofria tentando compreender o porquê de Heloísa ser incompreensível, o porquê de tanta indiferença quanto a suas atitudes desesperadas. Após pensar, e sofre, bastante, em um dia de visitas comprou morangos dela e entregou para ela própria. Nunca vira seus olhos brilhar como viu. Estava resolvido seu enigma, Davi havia finalmente descoberto o porquê de ser tão difícil chegar perto de compreender, compreender é impossível, mas porquê dela não ser compreensível eram os morangos. O porquê da obsessão com morangos ? Impossível. Porque ela não se sensibilizava nem interagia com ninguém como uma pessoa normal ? Morangos.
Davi concluiu sabiamente o seguinte: levara três meses para chegar a uma solução para o motivo de ela ser tão complicada, por não ser como as outras pessoas e agir como se vivesse em outro mundo distante desse atual, logo seria impossível, levaria a eternidade para chegar a um entendimento aceitável sobre como ela se comportava, compreendê-la.
Heloísa não estranhou o fato de Davi ter se aproximado e depois de três meses ter se afastado. Nada era interessante pra Heloísa porque ela tem cabeça de bichinho da goiaba, aquilo tudo não significava nada, absolutamente nada, tudo passava sem deixar uma reflexão, sem deixar uma significação, sem ficar uma interpretação dos fatos que se apresentavam, sem deixar uma impressão. Heloísa é uma tábula rasa que não foi marcada com nada, senão morangos. Davi desistiu desse amor, que não era amor, que não trouxe nada para si além de dor, não, dor e reflexão. Essa reflexão fez Davi refletir não só sobre a sua "paixão" como sobre sua vida, abandonou sua vida de agricultor e foi pra cidade grande estudar, terminou ensinos fundamental e médio e graduou-se em Pedagogia. Heloísa cérebro mole ainda trabalha com morangos.
Jorge Madoz
terça-feira, 22 de maio de 2012
Soneto Manifesto IV
A carne, o corpo, o ser humano sem luz,
O que se julga superior a qualquer
Espécie, etnia. Superior aos animais,
Os macacos são piores ?
Essa carne, esse corpo, essa luz apagada, se faz inferior.
O corpo que julga se rebaixa. O macaco é macaco
Ao agir e viver ele é macaco, porém
O ser humano ao não pensar não é humano, é corpo.
Ao pensar, ao iluminar, a luz reconhece
A igualdade de todos. A luz é boa para o todo.
As plantas são plantas devido à luz material.
E os humanos são humanos devido à luz imaterial que tecem.
A luz é imparcial e pensa acima do corpo, dá sentido ao corpo.
Acendei vossas luzes ! Iluminai-vos uns aos outros.
Jorge Madoz
2011
O que se julga superior a qualquer
Espécie, etnia. Superior aos animais,
Os macacos são piores ?
Essa carne, esse corpo, essa luz apagada, se faz inferior.
O corpo que julga se rebaixa. O macaco é macaco
Ao agir e viver ele é macaco, porém
O ser humano ao não pensar não é humano, é corpo.
Ao pensar, ao iluminar, a luz reconhece
A igualdade de todos. A luz é boa para o todo.
As plantas são plantas devido à luz material.
E os humanos são humanos devido à luz imaterial que tecem.
A luz é imparcial e pensa acima do corpo, dá sentido ao corpo.
Acendei vossas luzes ! Iluminai-vos uns aos outros.
Jorge Madoz
2011
Soneto Manifesto III
Quem te esconde a luz é quem não a sabe.
Este nunca vai sabê-las.
Se este as soubesse, ele procuraria
Escravizaria e exploraria as luzes.
Quem "gere" o mundo -é imundo- em
Que a inter-relação é maior que a intra
Gera anti-vida. Se a inter, que existe, fosse uma relação boa
Esses não mandariam, fronteiras não existiriam.
Contrariam os princípios por não permitir pensar.
Não permitem o pensar e omitem toda iluminação
Estes te comandam e te controlam. Pensem.
Manipuladores de marionetes por não iluminar.
Não há luz ao não pensar. Conclusão:
Não pensam, logo a luz não se ascende, só a carne. Lembrem.
Jorge Madoz
2011
Este nunca vai sabê-las.
Se este as soubesse, ele procuraria
Escravizaria e exploraria as luzes.
Quem "gere" o mundo -é imundo- em
Que a inter-relação é maior que a intra
Gera anti-vida. Se a inter, que existe, fosse uma relação boa
Esses não mandariam, fronteiras não existiriam.
Contrariam os princípios por não permitir pensar.
Não permitem o pensar e omitem toda iluminação
Estes te comandam e te controlam. Pensem.
Manipuladores de marionetes por não iluminar.
Não há luz ao não pensar. Conclusão:
Não pensam, logo a luz não se ascende, só a carne. Lembrem.
Jorge Madoz
2011
Soneto Manifesto II
Pensamentos, sensações e percepções,
De criança e dos tempos dela, não são extintos.
O hoje e o amanhã são a época dela.
A criança é luz quando é ela.
A criança não se conserva no corpo.
O corpo cresce e morre, deixando só
A luz. A criança está na luz, na pureza
E a inocência. O adulto só corresponde em parte à luz.
O pensar é a luz trabalhando,
É a luz sendo. A luz se apóia no
Iluminar para sempre iluminar mais.
Não sufoque quem não deve morrer, matando
A criança, mata-se parte da luz. Jóia no
Cofre é a luz em você, deixa a criança em paz.
Jorge Madoz
2011
De criança e dos tempos dela, não são extintos.
O hoje e o amanhã são a época dela.
A criança é luz quando é ela.
A criança não se conserva no corpo.
O corpo cresce e morre, deixando só
A luz. A criança está na luz, na pureza
E a inocência. O adulto só corresponde em parte à luz.
O pensar é a luz trabalhando,
É a luz sendo. A luz se apóia no
Iluminar para sempre iluminar mais.
Não sufoque quem não deve morrer, matando
A criança, mata-se parte da luz. Jóia no
Cofre é a luz em você, deixa a criança em paz.
Jorge Madoz
2011
Soneto Manifesto I
Cada cabeça boa pode ser vista de olhos fechados
Se for cabeça boa mesmo, aberta,
Que compreende e examina todos os detalhes,
E se preocupa com o entendimento do ouvinte.
É humilde, não reprime, valoriza.
Cada ser é luz, mas só é visto luz
Quando os olhos não vêem. Mas é visto
Se percebe-se, porque abandonou o egoísmo.
De ser ser humano, egoísta.
Sente-se a presença da luz em movimento, prima
Jamais perfeita mas te alegra por ser luz.
Abaixo dos mais numerosos animais, à vista
O ser humano permanece; E a luz acima
Reside por ser, não vista com olhos, luz.
Jorge Madoz
2011
Se for cabeça boa mesmo, aberta,
Que compreende e examina todos os detalhes,
E se preocupa com o entendimento do ouvinte.
É humilde, não reprime, valoriza.
Cada ser é luz, mas só é visto luz
Quando os olhos não vêem. Mas é visto
Se percebe-se, porque abandonou o egoísmo.
De ser ser humano, egoísta.
Sente-se a presença da luz em movimento, prima
Jamais perfeita mas te alegra por ser luz.
Abaixo dos mais numerosos animais, à vista
O ser humano permanece; E a luz acima
Reside por ser, não vista com olhos, luz.
Jorge Madoz
2011
domingo, 13 de maio de 2012
Soneto para anjos e fadas
Algo que acho estranho
É não acreditar
Que existam os anjos
Os vendo passar.
Sim, as mães dos filhos
Mulheres dos pais.
Donas de um sorriso,
Feitiço de paz.
Coração de amor,
Bondade e esplendor,
Flores perfumadas.
Me pego perplexo,
Anjo que tem sexo
São anjos e fadas.
Jorge Madoz
É não acreditar
Que existam os anjos
Os vendo passar.
Sim, as mães dos filhos
Mulheres dos pais.
Donas de um sorriso,
Feitiço de paz.
Coração de amor,
Bondade e esplendor,
Flores perfumadas.
Me pego perplexo,
Anjo que tem sexo
São anjos e fadas.
Jorge Madoz
sábado, 12 de maio de 2012
Minha cidade
Confluência desse rio
Que é a cultura do Brasil.
Junção do quente com frio,
Aos candangos, salvas mil !
O que não devo ao nordeste ?
O que não devo ao sudeste ?
Norte a sul, leste a oeste
Compõem cultura celeste.
Resistiu à ditadura,
Mesmo debaixo de surra
Permaneceu sempre pura :
A nossa nobre cultura.
És capital noite e dia,
És amor, bela poesia.
De onde vem essa harmonia ?
Fruto de antropofagia !
És baião, és bossa, és samba.
Açaí, leite com manga.
És terra, água, vento e chama.
És jegue, jabuti, anta.
Cerrado, que luz tu emanas !
E luz essa que me inflama,
Assim vem a voz que clama:
"Brasilia seu filho te ama !".
Jorge Madoz
Que é a cultura do Brasil.
Junção do quente com frio,
Aos candangos, salvas mil !
O que não devo ao nordeste ?
O que não devo ao sudeste ?
Norte a sul, leste a oeste
Compõem cultura celeste.
Resistiu à ditadura,
Mesmo debaixo de surra
Permaneceu sempre pura :
A nossa nobre cultura.
És capital noite e dia,
És amor, bela poesia.
De onde vem essa harmonia ?
Fruto de antropofagia !
És baião, és bossa, és samba.
Açaí, leite com manga.
És terra, água, vento e chama.
És jegue, jabuti, anta.
Cerrado, que luz tu emanas !
E luz essa que me inflama,
Assim vem a voz que clama:
"Brasilia seu filho te ama !".
Jorge Madoz
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A venda
Compre meu produto !
Veja que qualidade !
Ora que maldade !
Eu não vejo, só escuto !
Eu sei tudo, já vi tudo.
Não me venha com bobagem,
Não vês que tenho bagagem
Como uma hora tem minuto ?
Ora ora senhor, para você ver.
Não sabes nada, tu não és esperto,
Tu és cego, e o pior cego
É aquele que não quer ver.
Jorge Madoz
Veja que qualidade !
Ora que maldade !
Eu não vejo, só escuto !
Eu sei tudo, já vi tudo.
Não me venha com bobagem,
Não vês que tenho bagagem
Como uma hora tem minuto ?
Ora ora senhor, para você ver.
Não sabes nada, tu não és esperto,
Tu és cego, e o pior cego
É aquele que não quer ver.
Jorge Madoz
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Tesouro é o amor
Um pirata navegava,
Tinha seu barco,
Sua tripulação era boa.
Ouvia o mar.
Odiava e matava, cometia crimes.
Ria do arrependimento e
Empolgava-se atras de ouro.
É; porém o barco sofreu tempestade, naufragou.
Olhou, ao acordar, pessoas que ele havia roubado e feito mal.
"Onde estou ? Perdi meus tesouros !"
Refletiu depois, "Os fiz sofrer mas eles me ajudaram em troca de nada !".
Mudou seu modo de ver o mundo,
Arrependeu-se, aprendeu a amar.
Jorge Madoz
Tinha seu barco,
Sua tripulação era boa.
Ouvia o mar.
Odiava e matava, cometia crimes.
Ria do arrependimento e
Empolgava-se atras de ouro.
É; porém o barco sofreu tempestade, naufragou.
Olhou, ao acordar, pessoas que ele havia roubado e feito mal.
"Onde estou ? Perdi meus tesouros !"
Refletiu depois, "Os fiz sofrer mas eles me ajudaram em troca de nada !".
Mudou seu modo de ver o mundo,
Arrependeu-se, aprendeu a amar.
Jorge Madoz
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Aventureiro
Aventureiro,
Ignóbil descontente
Pretende despertar cólera.
Almeja destruir sua alegria,
Tornar descrente e
Rescrever sua história.
Aventureiro, nobre viajante.
Use sua armadura e sua espada
Pois sua jornada, por ser importante
E singular,
É repleta de obstáculos !
E também daqueles que
Vão tentar se tornar obstáculos.
Pernas, pontapés e tentáculos,
Mas por ser você, irá vencer.
Jorge Madoz
Ignóbil descontente
Pretende despertar cólera.
Almeja destruir sua alegria,
Tornar descrente e
Rescrever sua história.
Aventureiro, nobre viajante.
Use sua armadura e sua espada
Pois sua jornada, por ser importante
E singular,
É repleta de obstáculos !
E também daqueles que
Vão tentar se tornar obstáculos.
Pernas, pontapés e tentáculos,
Mas por ser você, irá vencer.
Jorge Madoz
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A mente julga
Gelo, neve, rocha,
Areia, sol, mar.
Nada disso vale
Quando a mente está
A chorar.
Jorge Madoz
Areia, sol, mar.
Nada disso vale
Quando a mente está
A chorar.
Jorge Madoz
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