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sábado, 26 de maio de 2012

Pobreza na mão de muitos

Venho agora declarar
A discussão de um assunto
Que ao se discutir assim
Quem o faz torna-se louco.
Discordo pois não acho certo.

"É indiscutível !". Será ?
O comodismo é um caruncho,
O pensamento é um sem fim
Mas pode nunca ser novo
Se domado pelo esperto.

Aqui se discutirá
-Alienação faz defunto-
O povo sofre um pouquinho
A cada imposto para o porco
E o povo se mantém quieto.

Como dois mais dois são quatro:
Pobreza na mão de muitos
-Não negue, veja que sim-
Riqueza na mão de poucos.
Se não percebes, eu alerto.

Então percebes que eu faço
Tornar o distante junto.
Marionete és enfim,
A alienação torna-te morto,
És a (verdadeira) cortina de ferro.

Jorge Madoz

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A "história de amor" de Davi e Heloísa.


   Heloísa é alguém que Davi deveria ter conhecido melhor, mas infelizmente isso não aconteceu. Durante muito tempo tentou compreendê-la mas isso se mostrou tão complicado que toda e qualquer vontade de aproximação se dissipava por completo a partir do momento em que ele pensava melhor sobre essa possibilidade. O porquê de tanta complicação ? No começo Davi chegou a pensar que não existia porquê, mas com o passar de tantos dias e tantas noites acabou conseguindo entender a complicação, mas entender Heloísa não, então vamos ao início dessa história.

   Heloísa é uma camponesa, tem 29 anos, é ruiva, planta morangos e os vende na feira da cidade onde mora, que é Botuangas. Sua vida não é interessante. Não é uma vida do tipo "não interessante" a qual a maioria das pessoas do mundo vive, onde se vive uma rotina, mas existem ambições e interesses particulares como casar, ter familia, comprar uma geladeira nova, ambições gerais de qualquer pessoa comum. É um tipo de "não interessante" porque além de viver imersa em sua rotina, Heloísa vive em função de sua rotina, suas ambições são a sua rotina, sua venda é seu destino não por imposição de ninguém (ou quem sabe seja , indiretamente) mas porque ela quer que seja, seu sonho é ter um bom dia de feira, seu descanso é apenas dormir pensando na venda dos morangos, sua familia são seus morangos, talvez não a parte da familia porque não se vende seus filhos para os outros se alimentarem desses, não uma pessoa normal até porque isso deve ser crime. Sim, Heloísa é extremamente chata e seu assunto se limita a vender morangos.

   Davi tem também 29, é moreno, barbudo e tem cabelos grandes, é camponês, planta e vende beterraba, chuchu e abóbora e mora em um vilarejo chamado Tuturu, mas como nesse vilarejo não há feira Daví pega o que produz semanalmente e leva para as cidades próximas. Nessas cidades ele vende o que produz e compra o que precisa para sua sobrevivência durante as próximas semanas, as vezes também compra um livro mesmo não sabendo ler. Em uma dessas viagens Daví conheceu Heloísa, e foi amor pela primeira vista. Talvez foi amor a primeira vista, ou talvez foi apenas um fascínio afinal a beleza de Heloísa causa deslumbramento em todos que a vêem. O início de seu encantamento não é o importante, mas o ponto de partida será esse dia.

   Não foi um dia belo de verão ou primavera, não havia belas nuvens, havia apenas um céu nublado, um dia morno, e um clima de fim de tarde de uma segunda-feira ou domingo. Daví viu Heloísa e "viu-se imerso em um estranho e novo sentimento, sentiu-se apaixonado devido a sua beleza estonteante", ou como não vivia certas emoções (com "certas emoções" eu quero dizer relações sexuais) há bastante tempo viu aquela bela moça e sentiu o "mais puro amor de todos". Logicamente, Heloísa estava vidrada em seus morangos e nem notou a presença de Davi, nem notou é realmente muito, ela notou porque ele ficara puxando conversa o tempo todo. Davi olhou pro céu e achou o céu "a coisa mais linda do mundo, a seguna aliás, porque a primeira estava diante dele". Heloísa achou legal ? Gostou ou não ? Heloísa não achou nada. Acharia legal se ele estivesse com uma camisa com desenho de morangos. Então acabou a feira e Davi teve de retornar à sua casa.

   Davi desenvolveu uma obsessão e se "apaixonou", não necessariamente nessa ordem. Passou a frequentar mais a cidadezinha de Botuangas para ver Heloísa, e eles viraram amigos. Não aqueles amigos que conversam sobre tudo, comentam tudo e contam tudo de suas respectivas vidas. E sim aquela amizade onde um quer uma coisa e outro quer outra sendo que nenhuma dessas coisas é amizade. Heloísa é uma chata de galocha, Davi nunca viveu a vida de verdade porque nunca quis, sempre teve a vida em sua frente mas sempre rejeitou-a. Heloísa quer vender morangos e arrumar uma sociedade com Davi, Davi acha que quer casar com Heloísa mas só quer "devorá-la", na realidade.

   Passados cerca de três meses nessa pseudoamizade tentando enganar a si mesmo, tentando não, devido ao fato dele já estar enganado acreditando no fato de estar apaixonado, perdidamente apaixonado. Ele não conseguia compreender como ele não conseguia estabelecer de fato uma comunicação com ela, e mais importante ainda, ele não compreendia ela. Tentou de todos os modos chamar sua atenção, levou pra passear, entregou flores, ele desenhou, leu poesias (na realidade abriu um livro e começou a inventar, mesmo sem saber ler ou escrever, ele tinha uma boa imaginação), cantou e dançou. Nada parecia realmente chamar atenção, ele não conseguia compreender sua "amada". Sofreu como ninguém sofrera até então, sofria tentando compreender o porquê de Heloísa ser incompreensível, o porquê de tanta indiferença quanto a suas atitudes desesperadas. Após pensar, e sofre, bastante, em um dia de visitas comprou morangos dela e entregou para ela própria. Nunca vira seus olhos brilhar como viu. Estava resolvido seu enigma, Davi havia finalmente descoberto o porquê de ser tão difícil chegar perto de compreender, compreender é impossível, mas porquê dela não ser compreensível eram os morangos. O porquê da obsessão com morangos ? Impossível. Porque ela não se sensibilizava nem interagia com ninguém como uma pessoa normal ? Morangos.

   Davi concluiu sabiamente o seguinte: levara três meses para chegar a uma solução para o motivo de ela ser tão complicada, por não ser como as outras pessoas e agir como se vivesse em outro mundo distante desse atual, logo seria impossível, levaria a eternidade para chegar a um entendimento aceitável sobre como ela se comportava, compreendê-la.

   Heloísa não estranhou o fato de Davi ter se aproximado e depois de três meses ter se afastado. Nada era interessante pra Heloísa porque ela tem cabeça de bichinho da goiaba, aquilo tudo não significava nada, absolutamente nada, tudo passava sem deixar uma reflexão, sem deixar uma significação, sem ficar uma interpretação dos fatos que se apresentavam, sem deixar uma impressão. Heloísa é uma tábula rasa que não foi marcada com nada, senão morangos. Davi desistiu desse amor, que não era amor, que não trouxe nada para si além de dor, não, dor e reflexão. Essa reflexão fez Davi refletir não só sobre a sua "paixão" como sobre sua vida, abandonou sua vida de agricultor e foi pra cidade grande estudar, terminou ensinos fundamental e médio e graduou-se em Pedagogia. Heloísa cérebro mole ainda trabalha com morangos.

Jorge Madoz

terça-feira, 22 de maio de 2012

Soneto Manifesto IV

A carne, o corpo, o ser humano sem luz,
O que se julga superior a qualquer
Espécie, etnia. Superior aos animais,
Os macacos são piores ?

Essa carne, esse corpo, essa luz apagada, se faz inferior.
O corpo que julga se rebaixa. O macaco é macaco
Ao agir e viver ele é macaco, porém
O ser humano ao não pensar não é humano, é corpo.

Ao pensar, ao iluminar, a luz reconhece
A igualdade de todos. A luz é boa para o todo.
As plantas são plantas devido à luz material.

E os humanos são humanos devido à luz imaterial que tecem.
A luz é imparcial e pensa acima do corpo, dá sentido ao corpo.
Acendei vossas luzes ! Iluminai-vos uns aos outros.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto III

Quem te esconde a luz é quem não a sabe.
Este nunca vai sabê-las.
Se este as soubesse, ele procuraria
Escravizaria e exploraria as luzes.

Quem "gere" o mundo -é imundo- em
Que a inter-relação é maior que a intra
Gera anti-vida. Se a inter, que existe, fosse uma relação boa
Esses não mandariam, fronteiras não existiriam.

Contrariam os princípios por não permitir pensar.
Não permitem o pensar e omitem toda iluminação
Estes te comandam e te controlam. Pensem.

Manipuladores de marionetes por não iluminar.
Não há luz ao não pensar. Conclusão:
Não pensam, logo a luz não se ascende, só a carne. Lembrem.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto II

Pensamentos, sensações e percepções,
De criança e dos tempos dela, não são extintos.
O hoje e o amanhã são a época dela.
A criança é luz quando é ela.

A criança não se conserva no corpo.
O corpo cresce e morre, deixando só
A luz. A criança está na luz, na pureza
E a inocência. O adulto só corresponde em parte à luz.

O pensar é a luz trabalhando,
É a luz sendo. A luz se apóia no
Iluminar para sempre iluminar mais.

Não sufoque quem não deve morrer, matando
A criança, mata-se parte da luz. Jóia no
Cofre é a luz em você, deixa a criança em paz.

Jorge Madoz
2011

Soneto Manifesto I

Cada cabeça boa pode ser vista de olhos fechados
Se for cabeça boa mesmo, aberta,
Que compreende e examina todos os detalhes,
E se preocupa com o entendimento do ouvinte.

É humilde, não reprime, valoriza.
Cada ser é luz, mas só é visto luz
Quando os olhos não vêem. Mas é visto
Se percebe-se, porque abandonou o egoísmo.

De ser ser humano, egoísta.
Sente-se a presença da luz em movimento, prima
Jamais perfeita mas te alegra por ser luz.

Abaixo dos mais numerosos animais, à vista
O ser humano permanece; E a luz acima
Reside por ser, não vista com olhos, luz.

Jorge Madoz
2011

domingo, 13 de maio de 2012

Soneto para anjos e fadas

Algo que acho estranho
É não acreditar
Que existam os anjos
Os vendo passar.

Sim, as mães dos filhos
Mulheres dos pais.
Donas de um sorriso,
Feitiço de paz.

Coração de amor,
Bondade e esplendor,
Flores perfumadas.

Me pego perplexo,
Anjo que tem sexo
São anjos e fadas.

Jorge Madoz

sábado, 12 de maio de 2012

Minha cidade

Confluência desse rio
Que é a cultura do Brasil.
Junção do quente com frio,
Aos candangos, salvas mil !

O que não devo ao nordeste ?
O que não devo ao sudeste ?
Norte a sul, leste a oeste
Compõem cultura celeste.

Resistiu à ditadura,
Mesmo debaixo de surra
Permaneceu sempre pura :
A nossa nobre cultura.

És capital noite e dia,
És amor, bela poesia.
De onde vem essa harmonia ?
Fruto de antropofagia !

És baião, és bossa, és samba.
Açaí, leite com manga.
És terra, água, vento e chama.
És jegue, jabuti, anta.
Cerrado, que luz tu emanas !
E luz essa que me inflama,
Assim vem a voz que clama:
"Brasilia seu filho te ama !".

Jorge Madoz